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O Berro do Bode Zé
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Vade retro satanás!

Este não é um simples berro do manso animal doméstico, símbolo desta coluna semanal, porém o urro, ensurdecedor, de indignação do leão selvagem contra a também considerada selvagem atitude de um gestor municipal; não aqui na região, mas em Aracati, estado do Ceará. O fato se dá no Ceará, porém atinge todo o Brasil, antes de atingir o mundo, como foi o caso das mulheres ofendidas por um infeliz deputado estadual paulista. A julgar por determinadas atitudes e fatos mais recentes, tem-se a impressão de que o novo coronavírus afetou os miolos de alguns, razão pela qual valores como ética, bom senso, respeito, caridade e solidariedade, já deteriorados na sociedade, são agora frontalmente atacados por agentes políticos. Por alguns divulgado como a se realizar na Sexta-feira da Paixão, na verdade, seu início está marcado para depois da meia-noite daquele dia. Mesmo assim não deixa de ser uma afronta, desrespeito, estupidez e tudo o mais contra o povo, o carnaval dito “Paixão no Aracati”, dentro da programação anunciada como a “melhor Semana Santa do estado” (Ceará), pois ainda assim está dentro da Semana Santa, que começa no Domingo de Ramos e termina no Domingo da Ressurreição, ou de Páscoa. Sabe-se que o carnaval, festa mundana, é fixada pela Páscoa, separando o divino do profano por quarenta e sete dias, que a ignorância oficializada quer agora misturar, numa clara agressão aos sentimentos da cristandade, não importa a face ostentada. É o resultado da municipalização do carnaval, originariamente, festa do povo, pelo povo, com o povo e para o povo, realizada em dias previamente fixados no calendário. É também o resultado de um sistema político-partidário corrupto e que corrompe, o que se comprova pelo que promove a prefeitura de Aracati, pois a promoção tem o efeito de corromper valores morais e de religiosidade, mediante criação de uma polêmica maldosa. Não considerado suficiente o dito carnaval, em momento impróprio e contrário aos sentimentos cristãos, porta-voz do prefeito foi além do que compete ao poder público, ao dizer que o Estado é laico e que “para a prefeitura a crença do povo em Deus, Jesus Cristo e um plástico ou pedra é a mesma coisa”. Que se diga a esse energúmeno que o estado é laico e deve ser laico, mas justamente esta laicidade não lhe dá o direito de interferir, distorcer e desrespeitar qualquer religião. Sua afirmação ofende não só cristãos, porém adeptos em todas a religiões existentes. A agressão não é cometida nem por ateus, em eventuais manifestações de sua posição sobre o tema. O eleitor, quando vota, está a escolher quem possa administrar a coisa pública, da melhor forma possível e coerente com os valores morais, sociais, culturais e, também, religiosos, construídos pelo povo ao longo das gerações. O voto não lhe dá o direito de interferir ou confundir a opinião pública sobre assuntos religiosos, de debochar de qualquer religião, de usar símbolos e temas religiosos para marketing político ou de qualquer natureza.
Que se acautelem políticos com muita sede, pois a água da qual querem beber pode não lhes fazer bem!

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