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O Berro do Bode Zé
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Quando a vida humana vale menos que a de um boi

Já está ficando chato abordar o mesmo assunto, mas há que continuar a bater na mesma tecla, até que, alguém ouça e notando o desafinamento, chame o afinador de pianos. No caso, a nota desafinada é a livre circulação de bovinos e equinos, em espaços públicos, sem que as autoridades tomem qualquer providência, apesar de todos os alertas já dados. Se humanos mal-educados não respeitam regras, normas e leis de trânsito, o que então se esperar dos animais, livres e à vontade, em ruas, praças e rodovias? Até o momento não se registrou acidente, em decorrência da irregularidade; mas, e então, estão a esperar que aconteça? Há quem diga que, por milagre, ainda não aconteceu; seria a mão de Deus! Deus cuida, mas do lado de cá, não pode haver descuido. Há que se fazer a contrapartida humana; no caso específico, a administração pública é a responsável. A coisa já está indo longe demais e uma solução precisa ser encontrada, antes que sangue se derrame, de seres humanos e de animais. Segundo a rádio peão, apreensões não são feitas, por falta de espaço e tratamento, de acordo com entidades protetoras de animais, razão pela qual também o DNIT teria cessado de fazê-las nas rodovias. Filosofia um tanto besta e hipócrita porque se, solto, está sujeito a toda sorte maus tratos, incluindo-se ervas daninhas por alimentação, por que, preso, o animal teria que estar acomodado em “baia 5 estrelas” e comer alfafa? E a vida humana, vale menos que a de um animal? Mas, tudo bem; se nada pode ser feito em relação aos animais e em relação aos seus proprietários? Dizem que quem não tem bunda não se senta. Se não tem pasto, que crie galinhas! Se do cão vadio é difícil identificar-lhe o proprietário, o mesmo não se pode dizer do quadrúpede de grande porte. Mas, se for difícil, que se ponha a polícia a investigar. A polícia só não acha, se não quiser! Em certa manhã destas últimas, cerca de 5h00, caminhante da madrugada passou por “acampamento” de uma boiada, improvisado pela própria, próximo à ponte do Vai-e-Vem, no pequeno gramado fronteiriço ao grande supermercado. Todo aquele conjunto de futuros bifes e peças de churrasco estava deitado, tranquilo, tal como grupo humano na praia. Ao retornar, o mesmo caminhante encontrou a manada, cerca de quinze cabeças, que teria sido desviada de suas, possivelmente, trágicas intenções. Outro caminhante, ao perceber que os animais se dirigiam para a rodovia, desviou-os. Àquela hora, é intenso o tráfego de grandes caminhões de carga e ônibus a conduzir trabalhadores. Quando é, caras-pálidas, que providências serão tomadas? Quantas notas como esta ainda teremos que emitir?

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