Quando se pensa estar livre de determinadas figuras, dignas de posição no panteão das mais indesejáveis, por sua natureza que transcende o antissocial e assume caráter puramente nefasto, eis que uma surge das sombras a nos sussurrar o que não quer gritar. Poder, pode, porém não grita, por covardia. Entretanto, se o grito pode trazer-lhe vantagens, tenta valer-se de outro canal, assim como das brasas se recolhem castanhas com a mão do gato. É a figura do denunciante anônimo, não do denunciante de um crime diante da autoridade, pois a esse se faculta a opção do anonimato, por questões de segurança, mas do denunciante oportunista, matreiro; que quer ver o circo a pegar fogo e ainda joga um balde d’água, se ele vem a arder de fato. Esse tipo de denunciante é a vilania encarnada que, sem qualquer escrúpulo, pode espalhar a mentira, a calúnia; pode provocar intrigas, manchar a imagem de semelhantes, quando encontra alguém com meios para disseminar e dissemina o não testemunhado ou provado, sem medir as consequências. Quem sabe de um crime pode guardá-lo, em segredo com sua consciência e, perante esta a Deus, prestará contas se eventual injustiça se cometer em decorrência do fato. Agrava-se seu débito, em segredo, se suscita dúvidas e desconfiança em torno do crime com o propósito de levar a erro na solução. Quem do anonimato oportunista se vale, podendo assim causar danos a terceiros, é pior do que a testemunha em segredo e não merece estar entre pessoas de bem. A esse tipo de denunciante não cabe dublê; ou assume ou vá cantar noutra freguesia!