Imagem: Divulgação/Vale/ Redação
Sete meses após a Vale anunciar a conclusão das obras de descaracterização da barragem Campo Grande, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, a estrutura teve sua Categoria de Risco (CRI) elevada de baixa para média pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
A alteração está presente no boletim mensal da agência referente a julho de 2026 e foi motivada por constatações feitas durante uma fiscalização. De acordo com a ANM, os técnicos identificaram alterações no estado de conservação dos taludes, além da necessidade de revegetação de determinadas áreas. Também foi constatado assoreamento em alguns dispositivos de drenagem superficial.
A ANM informou que as ocorrências verificadas durante a inspeção não estão associadas a um potencial comprometimento da segurança da barragem.
A Categoria de Risco trata-se de um parâmetro regulatório utilizado pela ANM para estabelecer prioridades de fiscalização e acompanhamento. Na definição da classificação, são considerados aspectos técnicos da barragem, as condições de conservação da estrutura e a situação do Plano de Segurança da Barragem.
Após a vistoria, a Vale foi determinada a adotar medidas corretivas. Em uma inspeção regular realizada pela própria mineradora e comunicada à ANM em 17 de julho, a empresa informou que as intervenções necessárias já estavam em execução.
Vale afirma que estrutura está segura
Procurada, a Vale afirmou que a estrutura Campo Grande permanece “estável, segura e sem qualquer nível de alerta ou emergência”.
A mineradora também destacou que a Categoria de Risco pode sofrer variações decorrentes de atividades rotineiras de manutenção.
Segundo a empresa, o monitoramento da estrutura é permanente e ocorre 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio dos Centros de Monitoramento Geotécnico (CMG).
Monitoramento
A Vale anunciou em dezembro de 2025 a conclusão das obras de descaracterização da Campo Grande. O processo envolveu uma série de intervenções, como a retirada do alteamento a montante, a reconfiguração da estrutura, a instalação de reforços, a impermeabilização e adequações no sistema de drenagem.
A descaracterização busca eliminar as características e a função de barramento da estrutura.
O término das obras, entretanto, não significa o fim imediato do monitoramento. Pelas diretrizes da ANM, estruturas descaracterizadas permanecem em monitoramento ativo por pelo menos dois anos. Depois desse período, o acompanhamento passa a ser realizado em longo prazo, de forma passiva.
A barragem Campo Grande
A barragem Campo Grande foi construída em 1998 e possui 94 metros de altura, com capacidade para cerca de 20,1 milhões de metros cúbicos.
No Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), a estrutura aparece classificada como de alto dano potencial associado (DPA).O conceito considera as consequências que poderiam ser provocadas por uma eventual ruptura ou falha grave.
Conforme os dados do sistema, entre 1 mil e 5 mil pessoas poderiam ser afetadas a jusante da barragem em um cenário de rompimento.O impacto ambiental é classificado como “muito significativo”, enquanto o impacto socioeconômico é considerado alto.
Outro fator que chama atenção é o método construtivo. A barragem Campo Grande foi erguida pelo sistema de alteamento a montante, o mesmo empregado nas estruturas que se romperam em Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019.
Campo Grande integra complexo da Vale em Mariana
A barragem Campo Grande é uma das estruturas que integram o complexo da Vale em Mariana. Outras duas barragens da empresa, Doutor e Xingu, também passam por processos de descaracterização.
A previsão da mineradora é concluir as obras da barragem Doutor em 2029. No caso da Xingu, o prazo estimado é 2034.
De acordo com a ANM, Minas Gerais possui atualmente 22 barragens de mineração classificadas na categoria de risco alta, 11 na categoria média e 158 na categoria baixa.
A classificação, segundo a agência, não é estática. O acompanhamento das estruturas ocorre de maneira contínua, a partir de informações reunidas no Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM), documentos técnicos, dados de instrumentação, inspeções realizadas pelas próprias empresas e fiscalizações presenciais e remotas.
Nota da Vale
“As obras de descaracterização da barragem Campo Grande foram concluídas em dezembro de 2025 e comprovadas perante os órgãos competentes. A estrutura permanece estável, segura e sem qualquer nível de alerta ou emergência.
Conforme prevê a legislação, a barragem segue sob acompanhamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) por um período de dois anos após a conclusão das obras.
Nesse período, a Categoria de Risco (CRI) pode sofrer pequenas variações tratadas por meio de ações rotineiras de manutenção. Essa classificação não está relacionada à estabilidade da estrutura.
A barragem Campo Grande continua sendo monitorada 24 horas por dia, sete dias por semana, pelos Centros de Monitoramento Geotécnico (CMG) da Vale”.
Com informações de O Tempo.