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“A gente sabe fazer jazz do nosso jeito”, diz Criolo durante o Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto

“A gente sabe fazer jazz do nosso jeito”, diz Criolo durante o Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto

Show foi o grande destaque da 24ª edição do festival, que homenageou Cazuza e Amy Winehouse e reuniu diferentes gerações em Ouro Preto

Show do Criolo foi sucesso de público/ Victória Oliveira

Ouro Preto foi palco, neste fim de semana, de mais uma edição do Festival Tudo é Jazz, que reuniu diferentes gerações e linguagens musicais na cidade histórica. O grande destaque foi Criolo, que levou um público numeroso à Praça Tiradentes na noite de sexta-feira (14). Em entrevista ao Jornal O Liberal, o artista falou sobre a relação entre o rap e o jazz, a influência da música negra e sua ligação com Minas Gerais.

Com entrada gratuita, o festival ocupou diferentes espaços da cidade, entre eles a Praça Tiradentes, o Teatro da Ópera e o Centro Acadêmico da Escola de Minas (CAEM). Em sua 24ª edição, o Tudo é Jazz teve como eixo as homenagens a Cazuza e Amy Winehouse, com tributos que foram bem recebidos pelo público.

Mas foi na sexta-feira que a Praça Tiradentes concentrou a maior movimentação do festival. O show de Criolo reuniu pessoas de diferentes idades e levou à formação de uma longa fila nos arredores do espaço.

A Praça Tiradentes tinha limite de 3 mil pessoas simultaneamente, conforme determinações previstas em regulamentações do Ministério Público de Minas Gerais e exigências dos órgãos de segurança. Quando a capacidade era atingida, a entrada era temporariamente interrompida e novos espectadores só podiam acessar o espaço conforme outras pessoas deixavam o local.

Criolo em entrevista ao O Liberal

“A gente sabe fazer jazz do nosso jeito”

Antes de subir ao palco, Criolo conversou com o Jornal O Liberal. Um dos temas da entrevista foi a relação entre o jazz, gênero que dá nome ao festival, e o rap, linguagem musical que está diretamente ligada à trajetória do artista. Para Criolo, rap e jazz partem de uma mesma história e encontram pontos de conexão na produção cultural negra.

“A gente acaba saindo de um lugar comum, que é a música preta mundial, desse lugar de tanta história. Então, o rap acaba se encontrando nesse jeito de contar o dia a dia, de contar o que acontece ao nosso redor. E essa música preta norte-americana, que foi feita lá.”, afirmou Criolo.

Segundo o artista, essas influências ganham novas possibilidades quando chegam ao Brasil. Ele citou o pianista pernambucano Amaro Freitas como exemplo de uma produção que vem reinventando o jazz a partir de uma perspectiva brasileira.

“A gente sabe fazer jazz do nosso jeito. A gente tem, por exemplo, Amaro Freitas, que é um pianista genial, que é de Pernambuco, está reescrevendo mais uma página singela, ao seu jeito, das outras tantas possibilidades inventivas de um jazz genuinamente brasileiro. Mas a gente sai desse mesmo lugar dos tambores africanos que regem toda essa ode à música preta mundial.”

A relação de Criolo com Minas Gerais também foi tema da conversa. O artista contou que sua aproximação com o estado começou ainda no início dos anos 2000, quando passou a frequentar eventos da cena underground do rap em Belo Horizonte. Ao longo dos anos, essa relação se ampliou para além do rap e alcançou outros artistas e vertentes musicais. Entre os encontros que marcaram essa trajetória, Criolo destaca sua aproximação com Milton Nascimento.

“Sempre fui muito bem recebido e abençoado, até chegar em 2013 e receber as bênçãos do artista mais incrível do planeta, que se chama Milton Nascimento.E aí tudo mudou, a responsabilidade aumentou, e os ensinamentos sempre preciosos desse nosso mestre Bituca, que transformou minha vida. Então, a relação que eu tenho com Minas é para além da parte musical, para além do cartão postal, é um respeito muito grande de entender que nessa terra pulsa um jeito de criação artística que só tem aqui”, contou Criolo.

Fim de semana de música em Ouro Preto

Além do show de Criolo e dos tributos a Cazuza e Amy Winehouse, o Tudo é Jazz ocupou diferentes espaços de Ouro Preto durante o fim de semana. No sábado, parte da programação sofreu alterações e atrasos em razão da chuva, mas os shows foram mantidos. O encerramento aconteceu no domingo (16), com um cortejo no entorno do Teatro da Ópera, fechando três dias de programação na cidade.

A 24ª edição do festival terminou deixando como um de seus principais registros o encontro entre diferentes públicos, gerações e linguagens musicais.

Público aguardava shows na sexta-feira(14)

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