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A imbecilidade da guerra

É difícil acreditar que em nossos dias, diante de tanto “progresso”, ainda exista algo tão imbecil, cruel e desumano quanto uma guerra. A cada notícia de bombas, tiros ou cidades destruídas, nos damos conta de que, depois de séculos de aprendizado, a humanidade continua repetindo este erro absurdo. É muito cruel que, enquanto alguns vivem em conforto e segurança, outros lutem para sobreviver ao medo constante, à fome e à dor que a guerra produz.

Trata-se da maior forma de imbecilidade humana, não por falta de inteligência, mas por falta de sabedoria e humanidade. É o momento em que o ser humano, capaz de criar arte e ciência, escolhe destruir o que levou gerações para ser construído, e esta destruição não é somente física, pois junto a cidades inteiras bombardeadas, seres humanos também são destruídos, pela morte física ou por sequelas que os tornam mortos em vida.

Uma guerra começa antes de chegar ao campo de batalha. Ela nasce em discursos intolerantes, em preconceitos camuflados, na recusa em compreender o outro. Onde o diálogo falha, a violência encontra espaço.

Há uma contradição gritante em se preparar jovens para matar outros jovens, que, no fundo, compartilham os mesmos medos, sonhos e afetos. A guerra transforma desconhecidos em inimigos e reduz vidas inteiras a números em relatórios.

No campo de batalhas, não existem heróis, como nos filmes. Existem pessoas. Pessoas com medo, com saudades, com lembranças de casa, que insistem em sobreviver.

Enquanto a guerra acontece, longe dela, o sofrimento é o mesmo. Familiares contam os dias, rezando para que ela termine e os seus voltem para casa. Mães que não dormem à espera de notícias, filhos que conhecem cedo demais o sentimento de perda, cartas que não chegam, mensagens sem respostas, lugares vazios à mesa. Tudo isto faz parte de uma guerra.

Nela, não existem vencedores. Quem participa de uma guerra, “ganhando” ou “perdendo” carregará cicatrizes para o resto da vida, sejam elas físicas ou emocionais.

Refletir sobre esta imbecilidade chamada guerra não é apenas condenar o conflito armado, mas reconhecer o quanto ainda falhamos como humanidade. Enquanto insistirmos em resolver diferenças pela força, estaremos apenas provando o quanto ainda precisamos evoluir, deixando pelo caminho dores inimagináveis.

Talvez a melhor lição da guerra seja nos lembrar o valor da paz. Uma paz não como sinônimo de ausência de conflitos, mas como capacidade de enfrenta-los com empatia e respeito.

Evitar uma guerra não é sinal de fraqueza, como interesses escusos podem tentar apregoar. Pelo contrário, é uma das maiores demonstrações de força e consciência que a humanidade pode alcançar.

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