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Cada um com a sua jornada

Esta semana, vivenciei uma experiência que faz pensar. O casamento e a partida de dois jovens, no espaço de apenas dois dias, me fizeram parar para refletir na complexidade da vida.

Não são eles pessoas de minha convivência e eu sequer conheço e conheci nenhum dos dois. Eram amigos de familiares, que em um dia comemoravam o casamento de um e no dia seguinte participavam do velório de outro.

Ambos jovens, ambos felizes, ambos com a vida inteira pela frente. Um, iniciando família, sorridente, cheio de planos para realizar. O outro, perdendo a vida em um acidente que interrompeu os planos que ele, com certeza, também tinha.

Quando fui informada dos acontecimentos, mesmo sem conhecer os envolvidos, fiquei muito abalada, não apenas pela dor dos meus queridos, que eram amigos da vítima, como pelo fato em si. Pensei que se eu, que apenas ouvi os fatos, me senti assim, como deveriam estar parentes, amigos, pessoas íntimas. Impossível mensurar o tamanho desta dor.

Assim é a vida. Cada um de nós tem a sua jornada predestinada e só Deus sabe quando ela acaba. Algumas são longas, outras curtas, algumas sofridas, outras mais amenas, e não nos cabe questionar.

Nesta questão específica, este paradoxo chamou-me a atenção por me ter chegado através de pessoas próximas, mas acontece sempre. Todos os dias pessoas nascem, pessoas se casam e pessoas morrem, nem porisso os acontecimentos da vida, se alegres deixam de alegrar, e se tristes deixam de entristecer. Porém, quando o intervalo entre estes dois acontecimentos se passa entre um dia e o outro, é impossível não pararmos para refletir.

Por que estamos aqui? O que viemos fazer neste Plano? Por que um ser encarna para viver setenta, oitenta, noventa anos, passando pelas tristezas e alegrias que nos consomem, vivendo intensamente e partindo de forma serena, enquanto outro chega e ainda no início da jornada, sem tempo de construir nada ainda, em alguns segundos se vai, em um acidente fatal? Por que alguns partem serenamente, em um leito de hospital, após uma vida plena, e outros se vão abruptamente, jovens, cheio de planos a realizar, em uma rodovia? São mistérios que nós, mortais, não estamos prontos para entender.

Não nos cabe questionar a vontade de Deus, mas temos o direito de não entender. Tudo faz parte de um Plano maior, que não estamos ainda prontos para compreender, e é nestas horas, independentemente da crença de cada um, que a Fé sustenta.

Nisto tudo fica a lição de que o que podemos fazer é procurarmos viver da melhor maneira possível, construindo o melhor que pudermos a nossa jornada, porque ninguém sabe se ela vai terminar aos oitenta anos, serenamente em um sono tranquilo, ou aos vinte, de forma abrupta, em uma colisão automobilística.

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