Os brasileiros, eleitores de todo este imenso e complexo Brasil, estão convocados a exercer seu direito básico de cidadãos: votar para a escolha de seus governantes. Na urna eleitoral todos se igualam e, sozinhos, diante apenas de sua consciência, exercem sua opção. Seu gesto, essencial ao regime democrático, deve expressar sua opinião e sua consciência, pelo bem do Brasil, da sociedade brasileira, pela vida de todos, conforme sua visão de mundo, percepções, valores e informações.
Mas é importante ressaltar que a responsabilidade é enorme — e também não é fácil — pelo momento histórico, político e conturbado que vive o Brasil, de imensa luta política, polaridade ideológica acentuada e, sobretudo, campanhas eleitorais que nem sempre permitem objetividade e isenção nas escolhas.
A complexidade do quadro político-eleitoral brasileiro não facilita a escolha do eleitor. O Brasil vive um multipartidarismo excessivo porque virou negócio rendoso para os que vivem da política como meio de vida e não como vocação cívica. E, nessa realidade, a configuração ideológica dos partidos reflete mais interesses do que postura ideológica bem definida. Os partidos, de maneira geral, alinham-se nos dois espectros ideológicos clássicos de esquerda e direita, conservadores ou progressistas. E este é também outro fator que limita e dificulta ao eleitor escolhas mais nítidas ou com opções doutrinárias e ideológicas mais claras.
O quadro político-eleitoral brasileiro está complexo e confuso. Vivemos a era do excesso de informações nem sempre confiáveis e fidedignas, que não se limitam a ideias, propostas e projetos necessários. Vivemos crise excepcional na política, que parece estar longe do fim. Assistimos, na conflitiva sessão do Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira, o quanto esta crise é grave, atinge e perturba a Corte Suprema, em sessão de extremos pessoais, ideológicos e até destemperos que comprometem sua reputação.
É incrível como a teia corruptiva do Master-Vorcaro ultrapassou os limites da honradez de personalidades da República — e de ministros de tribunais superiores. A plena e cabal apuração de crimes e responsabilidades ainda está por vir, e caberá ao STF conduzir as ações saneadoras, tão logo retorne à normalidade, sob a condução do presidente, ministro Edson Fachin. Muito ainda há que investigar, apurar e responsabilizar crimes e criminosos. O papel do STF é essencial e terá que adquirir plena autonomia e respeitabilidade, com transparência e celeridade. Será possível um código de ética para o STF? Com limitação das decisões monocráticas? É o que todos esperamos.
Ao eleitor deste imenso, desigual e complexo Brasil, que assiste à crise institucional e moral da política, resta a serenidade — nem sempre fácil. E que, no dia 4 de outubro, elabore seu voto, arma essencial da cidadania, lembrando que o Brasil precisa avançar na nossa democracia e no desenvolvimento econômico, e que temos condições para isso.
Valorize seu voto, com boas escolhas, nomes honrados, sem crimes e mentiras falaciosas, com currículos dignos, que não desejem perpetuar-se no poder. Renovações são bem-vindas, mas muitos também são os espertos que veem na política só negócios, sem compromissos éticos e com as necessidades reais do Brasil e da população.