A crise político-institucional e judiciária compromete a democracia e o regime republicano, com graves implicações para o ordenamento moral, político e constitucional brasileiro. E para a preservação da normalidade da vida brasileira em momento de grandes desafios mundiais. E em hora muito ruim, quando estamos na antevéspera das eleições para escolha de novo presidente da República, renovação de governos dos Estados e do Poder Legislativo.
As desavenças abertas, inusitadas e graves entre ministros do Supremo Tribunal, são resultantes de relatórios da Polícia Federal, instituição que deve manter isenção rigorosa de comprometimentos políticos e desvios operacionais. E, o que é mais grave, incluem acusações que perpassam também pela Procuradoria da República, o Ministério Público Federal. As desavenças expõem, de maneira grave e irreversível, questões éticas e morais, como também evidenciam a urgente necessidade de rever e aprimorar normas e critérios de atuação destas instituições essenciais à República e ao regime democrático brasileiro.
A opinião pública brasileira está a exigir explicações plenas, satisfatórias e completas da crise no STF, com esclarecimentos convincentes, conforme compromisso assumido pelo presidente, ministro Edson Fachin. E que reponha, com toda a integridade e plenos esclarecimentos, a integridade ética e fundamentos jurídico-constitucionais e, se possível, com aplicação de penalidades rigorosas, inclusive afastamentos de ministros, comprovada a prevaricação e outras improbidades incompatíveis com a majestade e indispensável correção ético-moral de ministros da Suprema Corte brasileira, que devem ostentar rigorosa isenção de conduta e manter-se fora da polaridade ideológica que domina o país.
Os fatos, públicos e já fartamente relatados, envolvendo polêmica grave, com denúncias públicas assumidas pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro, entre si e sobre temas graves, com várias implicações éticas e morais, extrapolam em muito as condições de ministros do STF e estão a exigir plena apuração, revelando ao país o amplo esquema de corrupção do banqueiro Vorcaro e seu Banco Master. E explicar, com todas as implicações, a vasta, inusitada e gravíssima rede de corrupção, que a cada dia mais assusta e estarrece a todos. E que sejam amplamente revelados à opinião pública a corrupção e seus tentáculos criminosos e corrompidos. Tornou-se uma questão moral, com profundas repercussões além da imediata necessidade de recomposição ética no Poder Judiciário, como condição essencial à normalidade institucional brasileira e ao restabelecimento da própria reputação de um país civilizado e capacitado, perante todo o mundo, em seguir sua trajetória respeitável.
O Brasil está diante de uma nova e dramática realidade, talvez das mais graves de sua história, em momento eleitoral decisivo e que, esperamos, renovará para melhor a classe política. E que reassuma compromissos consequentes e viáveis de manter seus compromissos de crescimento, prosperidade, justiça social e demais conquistas civilizatórias. E com um olhar para o mundo, que também está em extraordinária transformação. E com muitos e complexos desafios. O Brasil precisa de instituições fortes, respeitáveis, acreditadas perante a opinião pública por suas condutas éticas e longe de desvios éticos que lhe comprometem gravemente a reputação.
A crise no STF, há de se repetir e exigir cobrança e reparações objetivas e corajosas, precisa alcançar os infratores e que sejam expostos ao julgamento da opinião pública. O Brasil não pode conviver com esta lesão ética se não for cabalmente apurada. E o extraordinário poder do Vorcaro amplamente exposto com os corrompidos. E retirados das funções públicas e restabelecidas as condutas éticas, sob o amparo das normas legais e a prevalência de verdades que restaurem a normalidade da vida pública brasileira. Sem o que iremos para a selvageria, o descalabro e a perda de rumos e da identidade.