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Aplicativos locais de transporte tentam resistir ao avanço das gigantes e defendem valorização dos motoristas da região

Aplicativos locais de transporte tentam resistir ao avanço das gigantes e defendem valorização dos motoristas da região

Imagem Modificada por IA/ Victória Oliveira

Os grandes aplicativos de transporte individual, como Uber e 99, deixaram de atuar apenas nos grandes centros urbanos e têm ampliado sua presença em cidades do interior. O movimento, que tem chegado também a municípios como Ouro Preto, Mariana e Itabirito, amplia a oferta de corridas, aumenta a concorrência e pode beneficiar os passageiros com mais opções de transporte. Ao mesmo tempo, a expansão desperta preocupação entre os responsáveis por plataformas regionais, que defendem modelos de negócio voltados à valorização dos motoristas e da economia local.

Na Região dos Inconfidentes, aplicativos como OperDrive, Pam Pam, 2V, Bibi Car, MOV356, entre outros, surgiram por iniciativa de motoristas e empreendedores locais. A proposta foi oferecer um serviço adaptado à realidade dos municípios, aproximando a gestão da operação dos profissionais que atuam diariamente no transporte de passageiros.

O Liberal conversou com Jonas Nicolino, um dos sócios-proprietários da OperDrive e também motorista da plataforma. Segundo ele, o aplicativo nasceu da experiência de profissionais que já atuavam em outras empresas do setor e decidiram criar uma alternativa regional. Seis anos depois, a empresa vive seu período de maior crescimento.

” Hoje, mais de 10 mil passageiros já utilizaram a nossa plataforma e 30 mil já baixaram o aplicativo. Mas a gente teve um salto no último ano de 4 mil clientes ativos para mais de 10 mil. E são mais de 100 motoristas cadastrados na mobilidade urbana”, contou Jonas.

A OperDrive atende principalmente Cachoeira do Campo, além dos distritos de Glaura, São Bartolomeu, Santo Antônio do Leite e Amarantina. O aplicativo está disponível para Android e iOS e oferece categorias específicas, como atendimento exclusivo entre mulheres, em que passageiras podem optar por motoristas mulheres, além da modalidade pet. A empresa também prepara o lançamento da categoria executiva.

Segundo Jonas, a preocupação dos aplicativos regionais não está na concorrência em si, mas na forma como ela acontece e nas consequências a longo prazo. Com uma base consolidada de usuários e campanhas promocionais, as grandes plataformas conseguem expandir rapidamente suas operações para cidades menores. Para muitos motoristas, o maior volume de chamadas e os incentivos oferecidos no início da operação representam uma oportunidade de aumentar os ganhos. Na avaliação de Jonas, porém, essas condições podem mudar ao longo do tempo, reduzindo a rentabilidade da atividade.

Na visão do empresário, um dos diferenciais da OperDrive está justamente na forma de remuneração dos motoristas. “O posicionamento da OperDrive é de se estabelecer no mercado com um repasse justo. Enquanto a lei obriga as grandes plataformas a descontarem no máximo 30% do valor da corrida, a OperDrive consegue se estabelecer cobrando uma taxa que não representa em sua totalidade nem 10% dos ganhos dos motoristas. Dependendo do ganho, representa 5%, 3%…”, afirmou.

Jonas afirma que a empresa também procura acompanhar de perto as condições de trabalho dos parceiros: “Os nossos motoristas trabalham uniformizados, os veículos são revisados, passam por manutenção adequada. A gente busca monitorar isso e promover assistência para os motoristas, tendo convênio com casas de peças, com oficinas mecânicas, para incentivar um serviço de qualidade e ter um retorno digno.”

Para Jonas, a estratégia das grandes plataformas de praticar preços reduzidos para conquistar mercado pode trazer impactos para os profissionais no futuro:”Essas grandes empresas não valorizam o prestador local, a prata da casa”.

Apesar da concorrência, ele afirma que a OperDrive não adota qualquer postura de retaliação aos profissionais que optam por trabalhar em outras plataformas. ”Nós, proprietários da OperDrive, somos motoristas também. Entendemos o desafio.O que a gente gostaria é que os motoristas da nossa região entendessem que a proposta dos aplicativos locais dá um retorno financeiro muito maior e uma condição de trabalho muito mais digna para aqueles que atuam”, afirmou.

Para Jonas, a concorrência não deve ser encarada como uma disputa entre aplicativos, mas como uma oportunidade para fortalecer o empreendedorismo regional e valorizar quem vive e trabalha nas cidades onde o serviço é prestado: “Independente da marca ou da empresa, estamos todos no mesmo barco. São pequenas empresas que geram renda na nossa região e cuidam dos seus motoristas parceiros. Nós não queremos rivalizar com outros aplicativos. Queremos permanecer como essa resistência para valorizar os motoristas locais”.

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