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Caso de agressão contra vice-diretora em Itabirito é investigado e acende alerta para a violência no ambiente escolar

Caso de agressão contra vice-diretora em Itabirito é investigado e acende alerta para a violência no ambiente escolar

Imagem meramente ilustrativa. Imagem: Tayná Schultz/ Victória Oliveira

Na última semana, um caso envolvendo a Escola Estadual Dr. Raul Soares comoveu a comunidade escolar de Itabirito. A vice-diretora da instituição teria sido agredida pela mãe de um aluno durante uma reunião realizada na tarde da última quinta-feira (16). O encontro havia sido convocado pela direção para tratar do comportamento do estudante. A mãe, no entanto, apresentou uma versão diferente dos fatos a um veículo de comunicação local, e o caso segue sendo apurado pelas autoridades.

O Jornal O Liberal conversou com a Guarda Civil Municipal (GCM) de Itabirito e com os responsáveis jurídicos pela representação da vice-diretora.

De acordo com as informações preliminares, durante a leitura da ata da reunião, a mãe do estudante teria desferido agressões físicas graves à vice-diretora, que precisou ser socorrida por outros servidores da instituição. Os funcionários conseguiram interromper as agressões e prestaram os primeiros atendimentos até a chegada do socorro.

A Guarda Civil Municipal foi acionada pelos presentes. A vice-diretora foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu atendimento médico. A suspeita foi localizada pouco depois do ocorrido e conduzida à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.

Vice-diretora relata recuperação e pede responsabilidade

O Liberal conversou, com exclusividade, com a defesa da vice-diretora, que informou que ela segue em recuperação física e emocional. “Não é um momento fácil, mas tenho encontrado força no apoio da minha família, dos amigos, dos colegas de trabalho e das inúmeras manifestações de solidariedade que recebi”, disse ela.

Por orientação jurídica, a profissional afirmou que não irá comentar detalhes do caso enquanto as investigações estiverem em andamento. Ela ressaltou que todas as providências legais foram adotadas e disse estar colaborando integralmente com as autoridades.

A vice-diretora também manifestou preocupação com informações que vêm sendo divulgadas nas redes sociais. “Infelizmente, muitas pessoas têm emitido julgamentos precipitados e compartilhado informações que não correspondem à realidade”. Ao comentar o episódio, ela defendeu que o caso sirva de reflexão para a comunidade escolar e também fez um apelo para que a população evite a divulgação de informações não verificadas nas redes sociais e aguarde a conclusão das investigações.

“Espero que este episódio sirva para reforçar a importância do respeito aos profissionais da educação e da construção de um ambiente escolar pautado pelo diálogo, pela empatia e pela solução pacífica dos conflitos. A escola deve ser um espaço seguro para alunos, famílias e servidores. Nenhuma forma de violência pode ser considerada normal ou aceitável.”, afirmou a vice-diretora.

A versão apresentada pela mãe

Após o caso ganhar repercussão, a mãe do estudante apresentou sua versão dos fatos ao portal Sou Notícia. Segundo ela, o filho teria relatado que, dias antes, foi agredido por uma professora substituta, que também o retirou da sala de aula na frente dos colegas. Ainda conforme seu relato, o estudante retornou recentemente às atividades escolares e é acompanhado por um psicólogo.

A mãe afirma que esteve na escola para solicitar uma declaração destinada ao profissional que acompanha o filho e, ao chegar à unidade, foi convidada a participar de uma reunião. Durante a conversa, segundo ela, os profissionais fizeram apontamentos sobre o comportamento do aluno. Ainda de acordo com sua versão, ao decidir encerrar a reunião, a vice-diretora teria feito comentários que ela considerou ofensivos e discriminatórios em relação ao filho. A mulher afirma que, ao deixar a sala, houve um desentendimento, mas sustenta que ocorreu apenas uma discussão verbal.

As circunstâncias do ocorrido serão apuradas pelas autoridades competentes.

Guarda destaca atuação rápida

Em resposta ao O Liberal, a GCM informou que as equipes de patrulhamento foram mobilizadas imediatamente após o acionamento da Central de Operações. Segundo a corporação, a prioridade foi garantir a segurança dos alunos, professores e demais funcionários da escola, além de prestar apoio à vítima.

Após localizar a suspeita, os agentes realizaram sua condução à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. A corporação informou ainda que reforçou o patrulhamento no entorno da unidade escolar para restabelecer a normalidade do ambiente.

Questionada sobre o histórico de ocorrências semelhantes, a Guarda Civil Municipal afirmou que este foi um caso isolado: “A GCM mantém um trabalho contínuo, preventivo e ostensivo junto às instituições de ensino do município, como o programa de Ronda Escolar, o que garante um ambiente predominantemente seguro. Trata-se da primeira ocorrência registrada com este perfil específico na unidade, cuja resposta rápida evitou desdobramentos maiores e assegurou a responsabilização do ato”.

O Liberal também procurou a Secretaria Municipal de Educação para comentar o cenário da violência nas escolas do município e as ações de prevenção adotadas pela pasta. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Violência contra educadores preocupa em todo o país

Embora a Guarda classifique o episódio como um caso isolado em Itabirito, a violência contra profissionais da educação é uma preocupação recorrente em todo o país.

Uma pesquisa realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP), com 1.144 professores, revelou que 65% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão no ambiente escolar, seja em sala de aula ou em outros espaços da instituição. A violência verbal aparece como a ocorrência mais frequente, enquanto as agressões físicas são menos comuns.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a violência contra professores não representa episódios isolados, mas o reflexo de problemas estruturais vividos pela educação brasileira. Entre as medidas apontadas pela entidade para enfrentar esse cenário estão a valorização da carreira docente, com salários adequados e garantia de direitos; investimentos em infraestrutura e segurança nas escolas; fortalecimento da gestão participativa e criação de canais formais de denúncia e acolhimento.

Enquanto a investigação sobre o caso ocorrido na Escola Estadual Dr. Raul Soares prossegue, o episódio reacende a discussão sobre os limites das relações entre famílias e instituições de ensino e sobre a necessidade de preservar a escola como um espaço de diálogo, respeito e segurança para toda a comunidade escolar.

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