Em seu núcleo histórico mais antigo, Ouro Preto tem traçado urbanístico do princípio do século 18, mas hoje tem o dinamismo de uma cidade que vive o século 21 — e congestionada pelo excessivo número de veículos. As ruas da velha cidade, estreitas e sinuosas, seguem os caminhos primitivos e naturais que, topograficamente, acompanham as curvas de nível que permitem circundar os terrenos montanhosos onde nasceu. E surgiram aleatoriamente na corrida pelo ouro, encontrado nas encostas, nos pequenos cursos d’água, nas minas perfuradas. Mas é este jogo de altiplanos, muitas encostas, ladeiras, becos, casario geminado, que revela sua origem e exemplaridade típica das primeiras cidades coloniais, do barroco urbano que se conforma em altiplanos e em sucessivos patamares onde a visão alcança. E que faz de Ouro Preto uma cidade para ver e sentir, a todo instante, em cada lugar.
Esta paisagem urbana integra e distingue a cidade colonial, que tem nesta topografia característica singular e única. E que se formou em duas décadas, na intensa corrida migratória. Reflete e exemplifica o traçado urbano da arquitetura luso-brasileira dos anos iniciais da ocupação do interior do Brasil-colônia. E revela a cidade talhada nas asperezas da pedra e na sinuosidade das encostas, pelo ouro e pelo ferro. E permite ao visitante, de modo envolvente, usufruir de convivência única por suas ruas, vielas e ladeiras, luzes e sombras, casarões e palácios, a singular arquitetura e a ornamentação das igrejas. E relembrar, em cada esquina, a memória tricentenária e cívica de feitos históricos, dos inconfidentes, heróis e visionários, poetas, artistas e muitas narrativas tricentenárias. E muitas figuras ilustres da História, na Colônia, no Império e na República.
Cidade viva, acolhedora pela diversidade humana — ouro-pretanos, estudantes, turistas, visitantes ilustres, estrangeiros de todo o mundo —, este colorido humano a distingue em meio à oferta de atrativos, museus, restaurantes, lojas e muitas histórias, nativas e antigas, em diversidade exemplar que permite ao visitante fruição constante de atrativos e vivências. Viva e ativa, Ouro Preto é Patrimônio da Humanidade (Unesco/1980) e tornou-se, nos últimos anos, destino turístico muito procurado, hoje principal atividade geradora de empregos e rendas, especialmente para os ramos da hospedagem e alimentação, que têm recebido fluxos crescentes de visitantes, vivendo momento de intensas e lucrativas atividades.
É uma nova realidade que, no entanto, necessita de arranjos adequados aos fluxos de visitantes, especialmente em datas e períodos festivos. A superpopulação está a exigir planejamento urbano e de serviços, em nome de uma organização adequada e compatível com esta nova realidade. Planejamento do trânsito, estacionamentos, atenção especial à locomoção de turistas, sinalização urbana orientativa para atrativos, folheteria explicativa e até treinamento de receptivos tornaram-se urgentes para que o acolhimento de visitantes ocorra com melhor convivência entre visitantes e moradores.
Não é tarefa fácil, mas antiga. Já ensejou debates, propostas e planos quanto ao acesso de veículos e sua circulação e estacionamento, atividades essenciais no turismo contemporâneo com a maior oferta de carros e do asfalto dos acessos. Ouro Preto é hoje o principal destino turístico de Minas Gerais e tem localização privilegiada pela centralidade e proximidade de várias grandes cidades emissoras de visitantes — em especial de BH, mas hoje, com a facilidade de locomoção, também de outras grandes cidades do Sudeste brasileiro.