Poucos se lembram do telefone quando, então privilégio de rico, era admirado e desejado por quem não o possuía. Preto, pesadão, era presença solene na sala, ou na copa, de onde emitia seu tilintar metálico, a ressoar por toda a casa. Nem sempre eram os donos da casa a atender, pois isso era tarefa entregue a empregados, em alguns casos, o mordomo ou a governanta. Pobre quando precisava telefonar (doença ou morte em família) tinha que ir ao posto telefônico e confiar a ligação a uma telefonista. E eram caras as chamadas telefônicas, pagas na hora; nada de pendura ou pagar depois! Se recebia chamada, o pobre ainda havia que pagar pelo mensageiro incumbido de chamá-lo em casa. Novos tempos, novos valores fizeram do telefone algo mais comum; de nobre passou a plebeu, mais leve e de todas as cores, passou a entrar na casa de qualquer um. Os das mais novas gerações devem achar tudo isso muito engraçado e cheirando à mentira, mas é pura verdade! Com a chegada do celular, o outrora refinado e custoso telefone (hoje classificado “fixo”) está sendo descartado. Aquele que ficou pode estar a contribuir para também ser descartado, tal é irritação causada por seu comportamento. Ouve-se a campainha a tocar, corre-se a atender e a ligação se interrompe alguns segundos depois. Isso se repete durante todo o dia com pequenos intervalos. Não há como reclamar; no chat online, o atendimento é mecanizado e direcionado para assuntos específicos, não atendendo assuntos gerais ou reclamações. Também não funciona o telefone disponibilizado. Que fazer? Telefone! Quem te viu e quem te vê, hein? Melhor ficar desligado!