Raiva é coisa que não se guarda, quando não se pode evitá-la, devendo cada qual ter seu modo de descarregá-la, desde que não pela violência ou por qualquer ato prejudicial a outrem. Nem mais se discute que a raiva ou qualquer sentimento negativo é como arma voltada para si próprio e não para o alvo a que, presumidamente, se destina. Conscientes de que a atividade mental negativa se reverte para si próprio, pessoas descarregam essa energia de outra forma, na prática mais intensa de algum esporte, por exemplo. Em filmes, é muito comum ver pugilista a bater com mais força naquele saco de pancadas (que nome tem aquela coisa?), durante um surto de raiva. Depois daqueles murros, parece que ele volta à normalidade. Mas, cada caso é um caso, cada um descobre sua maneira de descarregar a raiva. Entretanto, penso terem encontrado outra forma, cujo desfecho pode redundar em algo pior. O raivoso, ou raivosa, pois parece ser mais comum entre mulheres, tendo como base fatos já conhecidos, apela para o embate remoto; pega o telefone, disca um número, aleatoriamente (presume-se), e já vai gritando o nome do infeliz (geralmente é homem). Em vão, o recebedor da chamada protesta, dizendo não ser a pessoa que ela pensa ser. A raivosa sabe que não é, mas insiste no nome, que tem em mente, e continua a xingar, usando todo o vocabulário de baixo calão, em meio a revelações íntimas, que dão a entender ter sido menosprezada. De forma súbita, sem tempo para mais questionamentos da outra parte, a ligação é interrompida. De um lado, alguém desabafou, descarregou sua raiva e, muito convenientemente, sem atingir o verdadeiro alvo; do outro, se teve paciência, alguém ouviu desaforos, que não o atingem, portanto sem qualquer reação. Mas, suponha-se que a pessoa chamada esteja também “com a avó atrás do toco” e consiga identificar a autoria da chamada. Aí a casa cai!