Mauro Werkema
O mundo em transformação, a cada dia, nos revela constantes mudanças, quase sempre inesperadas, que vão conformando novas formas e condições de vida, individuais e coletivas, mas sempre a exigirem adaptações nem sempre fáceis — ora para o bem, ora para o mal. E assim “caminha a Humanidade”, antiga frase que retrata bem o tempo em que vivemos. O fenômeno é abrangente, mundial e não escolhe pessoas ou situações, alcançando a todos. E vai além da espécie humana e seus modos de vida, atingindo também o mundo animal e vegetal e, o que é até mais preocupante, a natureza: rios, mares, geologias, conformações territoriais, que igualmente condicionam sobrevivências. O fato, inconteste, é que as transformações estão também reformando os modos de vida, de cidades, países, a convivência internacional, novas ambições e guerras.
O mundo acelerou a vida de todos e já condiciona a sobrevivência da vida planetária, como nos demonstra a crise climática, com alcance ainda desconhecido, assim como o avanço da internet e sua inteligência artificial, também uma incógnita quanto ao seu alcance e abrangência. E, nos tempos atuais, a evolução das tecnologias da guerra, que o mundo conturbado nos apresenta, com poder destrutivo e alcance territorial muito maiores, na velocidade dos mísseis e drones que transitam pelos ares. Vivemos um novo e assustador tempo de guerras, em que o diálogo, a diplomacia, o papel da ONU ou quaisquer instâncias de entendimento se mostram ineficazes. E não sabemos, hoje, no que resultarão.
Esta é a paisagem que assinala — e bastante preocupante — o cenário internacional, que alcança também as nações não beligerantes, interrompendo fluxos de comércio, fornecimento de provisões essenciais, como petróleo e gás, e até a cooperação mundial. Esperemos, se possível, nesta nova realidade, que persista a esperança de que o mundo, pelo diálogo e cooperação entre as nações de boa vontade, possa desfrutar de um novo tempo de paz e cooperação, na busca de ações solidárias para a solução de problemas que ainda impedem um maior desenvolvimento econômico. E que ocorra maior troca de conhecimentos na ciência, na medicina, na educação, na redução da pobreza. E que os regimes ditatoriais sejam superados por um novo tempo de democracias plenas.
Cabe indagar: e o Brasil, como fica nesta nova, surpreendente e, sobretudo, desafiante realidade? O Brasil tem aberto novas fronteiras na cooperação internacional, apresenta indicadores de crescimento econômico expressivos, vem reduzindo a pobreza extrema, entre muitos outros resultados positivos. Mas vive notório impasse político, um conflito ideológico que se expressa numa polaridade um tanto retardatária, que não se sustenta em um debate objetivo e verdadeiro dos problemas nacionais, mas apenas na busca do poder. E, infelizmente, o quadro eleitoral que já se inicia não demonstra que o diálogo prevaleça em observância e prevalência dos interesses nacionais.
As transformações são necessárias e integram o processo civilizatório, inerente às aspirações da própria vida, das melhorias possíveis e que conduzam ao “saber viver”, expressão que melhor define a natural e inevitável aspiração dos seres vivos. A superação de desafios é conduta natural à própria condição de vida. Conceito que nos revela que a Humanidade, agora em processo acelerado de transformações, precisa encontrar sabedoria nos embates naturais que integram mudanças e inovações — e fazer com que sejam para melhorar a vida de todos. Este é o grande desafio do mundo de hoje, que nos surpreende e assusta, todos nós, com a velocidade das transformações.