Imagem: Élcio Miazaki/ Marcos Delamore
Cancelada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), a exposição “Habeas Corpus” reunia obras de Élcio Miazaki na Galeria de Arte Nello Nuno, da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP).
A medida foi determinada pela Secretária Estadual de Cultura e Turismo, Bárbara Barros Botega, que encaminhou um ofício assinado à FAOP, solicitando a suspensão da exibição dias antes da estreia. A entidade estadual alegou que a exposição de arte “incluía conteúdos impróprios para a idade indicada, incluindo nudez frontal”.
Indicada para maiores de 14 anos e com previsão de abertura para a última sexta-feira, dia 27 de março, a mostra tinha como mote a ditadura militar, masculinidade e Forças Armadas. O trabalho incluía fotografias e videoperformances.
O artista responsável pelas obras classificou a solicitação como uma forma de censura. Em suas redes sociais, Élcio se manifestou: “Curiosamente, minha produção, que muitas vezes aborda os silêncios, teve um processo de silenciamento. Enfim, diante disso tudo ainda pude enxergar que exposições correm o risco de ter seus ciclos interrompidos, mas as obras continuam existindo”, escreveu.
Em nota, a Secult afirmou que “a decisão é uma medida pautada pela responsabilidade na gestão do espaço público, buscando garantir equilíbrio, harmonia e respeito aos diversos públicos, conciliando a promoção da cultura com a preservação do ambiente de convivência coletiva, em alinhamento com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as demais legislações relacionadas ao tema”.
A exposição “Habeas Corpus”, com curadoria de Wagner Nardy e produção de Élcio Miazaki, ainda não tem previsão de abertura.

Imagem: Élcio Miazaki