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Impactos da mineração em Ouro Preto pautam visita de Comissão de Meio Ambiente da ALMG

Impactos da mineração em Ouro Preto pautam visita de Comissão de Meio Ambiente da ALMG

Imagem: Assembleia Legislativa de Minas Gerais/ Marcos Delamore

Impactos diretos e indiretos da mineração nas comunidades de Antônio Pereira e Botafogo, no município de Ouro Preto, motivaram a visita da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (4).

Solicitada pela deputada Bella Gonçalves (PT), a comissão realizou vistoria na Barragem Doutor, uma estrutura da mineradora Vale que se encontra em nível de alerta. Além disso, foram cumpridas agendas com atingidos e visita à RS Mineração e à Patrimônio Mineração.

“Ouro Preto vem sofrendo com o avanço da mineração sobre os territórios. Nós vamos realizar uma visita à Barragem Doutor e escutar a comunidade de Antônio Pereira e também a comunidade de Botafogo, que vem sofrendo com poeira, a ameaça de barragens e até mesmo atividades de mineração ilegal que acontecem no município de Ouro Preto”, disse a parlamentar.

A comitiva foi composta por membros do Ministério Público de Minas Gerais, vereadores da Câmara Municipal de Ouro Preto, representantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e o Instituto Federal de Minas Gerais(IFMG), lideranças de movimentos sociais, entidades sindicais e associações comunitárias, além de moradores e representantes de comunidades locais.

Para Carla Dayane Moreira Dias, moradora de Antônio Pereira, a mineração em Antônio Pereira ainda deixa dúvidas, reclamações e muito medo entre os moradores. “A cada trovoada, a gente pensa que é o rompimento da barragem”, relatou.

A moradora Maria Helena Rocha Ferreira também alegou a falta de informações sobre o andamento das obras de descaracterização e ações de evacuação. “A empresa não respeita a comunidade. Está ficando inviável viver aqui. Estou me vendo obrigada a ir embora”, disse.

De acordo com a comunidade, a barragem de Doutor tem provocado adoecimento mental, inclusive em crianças. A descaracterização completa está prevista para ser concluída até 2029. 

Segundo os representantes da Vale, não há possibilidade de rompimento e que três milhões de metros cúbicos de água já foram drenados para garantir a segurança da estrutura, que está sendo reforçada.

A empresa vai atender todos os requisitos da legislação federal de segurança de barragens. Além disso, se comprometeu a realizar o pagamento de indenizações a todos os moradores com casas na mancha de inundação.

Serra de Botafogo

A Serra de Botafogo apresenta uma riqueza natural e abrange a Reserva Ecológica do Tripuí, a Capela de Botafogo, uma das mais antigas do estado, duas trilhas coloniais dos anos de 1718 e 1782, com ruínas de chafarizes, minas coloniais, entre outros bens ecológicos, históricos e arqueológicos.

O avanço da mineração na localidade histórica é apontado como risco ao patrimônio hídrico de Ouro Preto, o que pode resultar na diminuição da recarga de duas bacias hidrográficas: do Rio Doce, ao sul do território, e do Rio das Velhas ao norte, que contribui para o abastecimento de diversas localidades do Estado de Minas Gerais.

Pensando na preservação desses patrimônios, em 2023, o Deputado Estadual, Leleco Pimentel (PT), foi autor do Projeto de Lei 1.116/23 que declara a Serra do Botafogo como patrimônio ambiental, histórico, cultural, religioso, turístico, paisagístico, hídrico e social, de natureza material e imaterial de Minas Gerais.

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