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O Berro do Bode Zé
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Quousque tandem abutere, imperium, patientia nostra?*

A internet veio para simplificar, aproximar no espaço, reduzir no tempo e na burocracia, democratizar a comunicação, enfim, veio para facilitar a vida de todos. Infelizmente, nem sempre isso acontece. Em se tratando de Brasil, pode mais dificultar, alongar prazos e ocasionar outros tantos transtornos. Como o elemento tupiniquim, desde os tempos coloniais, está programado para não reclamar, denunciar menos ainda – reclamar é feio, próprio de gente chata ou mal educada e denunciar é próprio de dedo-duro – ninguém reclama e tudo fica por isso mesmo. Ufana-se de entre, os países, ser o Brasil um dos mais conectados à internet, como se inserisse o país entre os mais desenvolvidos. Veja-se o caso da educação. Há escolas por toda parte, mas o brasileiro sabe cada vez menos. Com base nisso, órgãos do governo jogam na internet todos os procedimentos burocráticos, causando angústia, aflição e confusão na população. Veja-se o que acontece no processo de recebimento do Auxílio Emergencial; a grande maioria não está preparada para a coisa. Não estão livres dos aborrecimentos dígito-oficiais nem os mais preparados fuçadores de computador e da internet. As captchas, por exemplo, recurso criado para impedir a ação de robôs, no fornecimento de informações, são usadas por sites oficiais para azucrinar o usuário. Ao contrário das antigas imagens borradas, difíceis de ler e entender, as captchas podem ser constituídas de operações aritméticas simples, que resolvem o problema para ambas as partes, sem maiores perturbações. Entretanto, prevalece o sadismo nos sites oficiais, que insistem naquela coisa anacrônica. Há sites em que se chega a vinte tentativas para conseguir acesso, mas há um que, nem com lupa se consegue decifrar o enigma. *Até quando o governo abusará da nossa paciência?

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