O tráfego na rodovia está intenso e, no momento, um pouco mais célere, ao contrário de outros em que paralisa, enquanto se desafoga o trânsito urbano, represado junto à principal intersecção. De longe, pode-se observar uma pessoa, à margem, talvez à espera de alguém, porém mais de perto, percebe-se que quer cruzar a rodovia e aguarda momento mais propício. É uma senhora de meia idade, que movimenta o olhar, numa e noutra direção. De vez em quando, achega-se à faixa-limite da pista, mas retorna diante da aproximação de mais veículos. Parece não ter pressa, e é bom mesmo que não tenha, pois o momento, naquele ponto, não está para pedestres. Ela deve ter aguardado, entre quatro ou cinco minutos para cruzar com relativa segurança, naquele ponto. Mais alguns metros à frente, ao contrário da senhora tranquila, um rapaz a carregar uma caixa de bebidas está, do outro lado, a tentar o cruzamento. Em dado momento, ele avança e força pausa no fluxo do tráfego, felizmente, naquele momento, sem a presença de condutor mais afoito. Ele chega do lado de cá da rodovia, sem qualquer problema. São dois comportamentos adversos, o da senhora e o do rapaz em trabalho; ela prudente a aguardar, por longo tempo, o momento propício e, ele, imprudente, a forçar a interrupção do tráfego. Uma e outro assumem atitudes desnecessárias, pois a menos de cem metros da senhora está um quebra-molas, do qual o rapaz não distava mais que dez metros. Ambos, se tivessem andado mais alguns passos teriam cruzado a via com segurança, sobre o quebra-molas; ela, sem esperar por tanto tempo e ele sem interromper o fluxo do trânsito. Mas, os teóricos da imprudência dizem que quebra-molas não são destinados a pedestres!
Realmente, seu principal objetivo é a redução da velocidade dos veículos nos pontos de maior presença de pedestres e na aproximação de interseções de outras vias, também movimentadas. Contudo, nada impede e, ao contrário, aconselha-se, ao pedestre o uso dele como faixa de segurança! Resumindo, o quebra-molas não só pode como deve ser usado como faixa de segurança. Diz-se, comumente, que tal ponto ou tal via é perigosa, mas na realidade, o que há são comportamentos e atitudes humanas inadequadas a pontos e vias, de acordo com o momento de uso das vias públicas, seja como condutor, seja como pedestre.
Falta educação para que o trânsito seja mais harmônico!