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O Berro do Bode Zé
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Para lá tudo; para cá, nada!

Quanto ao acesso, ao alcance ou atingimento de objetivos puramente físicos ou de contato à distância, não há dúvida de que o mundo avançou, e muito, para a grande maioria das pessoas. Quem está dentro da segunda década de vida não tem ideia de como era difícil fazer uma ligação telefônica; não conheceu as limitações para se ver televisão. Pessoas afastadas dos grandes centros e, por isso, chamadas pejorativamente, “do interior”, não tinham acesso a produtos e serviços, quase privilégio de quem morava nas grandes cidades. Movimentar-se dentro deste imenso país constituía uma aventura para a grande maioria e, não raro, pessoas tinham vida longa junto ao berço natal, sem nunca dali deslocar-se. Ao contrário, muitas que conseguiam sair, não voltavam, umas porque não mais lhes interessava, outras porque não podiam, uma vez que a sorte não havia melhorado. Para os familiares, muitas ficavam desaparecidas para sempre. Em pouco tempo, todo o quadro se transformou. Não se conseguia falar para outro lado do morro, mas já se fala para o outro lado do mundo; a televisão mostra cenas atuais de qualquer parte do planeta, fazendo milhares ou milhões de testemunhas de fatos que, ali no momento, se julga limitado ao conhecimento dos diretamente envolvidos; importa-se de qualquer país, a partir de casa, sem envolver profissional ou empresa de comércio exterior. Para se “esconder” de quem quer que seja, há que se isolar na selva, sem qualquer contato com a civilização, pois mediante poucos dados descobre-se onde o “fugitivo” está! Comparado ao mundo de há cinquenta anos, o atual é o próprio paraíso em facilidade e comodidade, mas há o reverso da medalha, que se constitui em paradoxo. O paraíso, no momento do consumo, imediato, paparicado e facilitado, transforma-se no inferno, quando se envolve a defesa dos direitos do consumidor. Empresas se negam a dar suporte ao serviço prestado, deixando o usuário ao “Deus dará”, porém ressurgem na cobrança depois de suspenso o pagamento como resposta ao serviço não prestado; outras dificultam, de todas as formas, a solução de problemas no atendimento a usuários, enquanto continuam com campanhas de marketing por meios mecânicos, oferecendo o mesmo serviço para o qual não se dá assistência. Desse tipo de patifaria não escapa nem o governo federal, que não fornece as devidas informações aos seus pensionistas e deles cobra, com rigidez, a declaração de renda ao Leão. A tecnologia aplicada é a mesma, em qualquer situação, mas quando se trata de retorno ao consumidor, usuário ou contribuinte, ela se tranca, funciona às avessas e contra estes últimos. Por que será? Empresas em débito por falha em seus serviços só conhecem o usuário para fazer cobranças indevidas, e o governo federal, até para receber imposto, dificulta a vida do cidadão. Coisas de Brasil!

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