As duas senhoras, postadas à margem da rodovia, entraram no ônibus a sobraçar sacolas de compras. Ainda bem que a população já se acostumou a ceder lugar a pessoas com mais idade, pois não se sabe como viajariam, espremidas entre outras e ainda a cuidar de pacotes. Duas garotas cederam seus lugares e elas se acomodaram, sempre muito falantes sobre o que haviam acabado de fazer, como é próprio entre mulheres ao sair das compras. Com mais atenção ao que elas diziam entre si, sem qualquer preocupação com a privacidade, percebia-se preocupação com palavras isoladas e, aparentemente, estranhas ao contexto nos pacotes e embalagens das compras. Eram palavras, em inglês, essa verdadeira praga que invade o Brasil como se sua população não tivesse língua própria. Palavras como “Delivery”, “out”, “check in”, “check out”, “shopping”, “fast-food”, “food truck”, “cofee breack” e outra montoeira delas azucrinam a vida de pessoas simples, que nunca tiveram contato com línguas estrangeiras, mas são clientes, são consumidoras e precisam saber o que compram, o que usam. Como cidadãs brasileiras, essas pessoas estão sendo desrespeitadas, sem que ao menos tenham consciência disso, e, os que se valem do inglês, para vender produtos ou serviços, podem perder vendas, por conta do desvio na comunicação. Macaquear o estrangeiro virou mania e chega ao extremo do ridículo, ainda que o protagonista se sinta o rei da cocada! Assim é que a “black Friday” (“sexta-feira negra”, em Português), comemorada nos Estados Unidos, no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças (quarta quinta-feira de novembro) no Brasil virou sinônimo de desconto ou promoção comercial em qualquer dia e época do ano, quando não de safadeza! Aqui há “black friday” em qualquer botequim e até na segunda-feira!