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O Berro do Bode Zé
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O perigo viaja ao lado

O condutor já dava partida no busão não muito cheio, digamos que à meia lotação, quando a passageira, a contrastar em elegância com a maioria dos presentes, adentrou (ah! ah! até parece resenha policial), pagou e cruzou a roleta. À escolha de um lugar, seus olhos fizeram um sobrevoo no interior do veículo, até que, de repente, brilharam e quase saltaram em determinada direção, para onde toda ela e respectiva elegância acabaram se dirigindo. Um prolongado oh! simultâneo, se ouviu da que chegava e da encontrada; esta já de pé para receber a conhecida ou amiga, há muito distante a julgar pelo ritual festivo realizado pelas duas. Ambas deviam ter marcas, ou senhas, só delas conhecidas, pois em tempo de focinheiras para todos, pelo menos, dentro dos coletivos, nem sempre se conhece o vizinho ao lado de casa. Elas não tiveram nenhuma dificuldade no reconhecimento. Cessados os ruídos do entrechoque amigável e acomodadas para o não tão logo percurso, as duas, talvez ansiosas para colocar as fofocas em dia, passaram aos cochichos, o que exige maior proximidade, certamente reprovada pelo senso comum em situações como esta. Contudo, o perigo de tal proximidade teria sido, um pouco, atenuado pelas máscaras, se o comportamento da “elegante” não tivesse determinado o contrário. Ela passou a baixar a máscara toda vez que lhe cabia proferir um sussurro. Para que, então, máscara? O perigo do contágio, da transmissão do novo coronavírus, está na área da respiração e da fala, daí a necessidade do uso de máscara e do resguardo da distância, em torno de um metro e meio a dois metros. Afora isso, o perigo é mínimo. Ainda que uso da máscara seja discutível, conforme opiniões diversas ouvidas, o uso obrigatório é amparado em lei, plenamente aceitável e que não viola direitos do cidadão, ao contrário de arbitrariedades cometidas por aí afora.

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