Comportamento covarde, de arrogância contra o fraco e de subserviência ao mais forte, se repete em toda e qualquer situação, dando asas à filosofia popular quando diz que assombração sabe quando e a quem aparece. Chuta-se, pisa-se na indefesa lagartixa, mas ninguém enfrenta com o mesmo ímpeto e violência o valente crocodilo. A favor deste levanta-se sempre a questão da defesa e preservação da fauna, a proteção aos animais, o equilíbrio ecológico e o meio ambiente.
Dentro das estratégias dos governos estaduais e municipais (o federal foi “destituído” pelo STF nessa questão), no combate à pandemia, levantou-se a questão dos templos religiosos, de todas as crenças, fechados para cultos presenciais. O bafafá estourou quando um ministro do STF concedeu liminar, para que os cultos presenciais fossem reabertos, em todo o Brasil, observando-se os cuidados requeridos para o caso (distanciamento, máscaras, etc.), o que implica em forte redução do número de fiéis participantes, assim como já se fazia, antes do fechamento total. Outro ministro concedeu liminar em sentido contrário, no âmbito de uma unidade federativa. Diante dessas posições antagônicas, caberia ao plenário daquela corte a decisão, antevista por analistas como contrária à abertura, quando ainda se redigia esta nota. Pois é; contra igrejas, mansas e obedientes, faz-se tudo o que dá telha. Rezar ou orar nos templos é perigoso (assim como na China), ainda que vazios pela metade, com forte oportunidade de propagação do novo coronavírus. Mas, e contra o lado oposto o que dizer? Festas de grã-finos realizam-se em recintos fechados, sem qualquer impedimento. E contra os famigerados bailes funk, nos quais prevalece o “vale-tudo”, realizados em via pública, por que não há a mesma ação governamental? Por que ninguém vai ao STF contra eles? Nenhuma ação contra bailes funk, porque são manifestações culturais; repressão policial é contraproducente e violação dos direitos humanos. Já se viu, em outras ocasiões, quando a polícia agiu pelo bem da ordem pública. Sabe-se, mas ninguém diz, quem são, ou em quem se escoram, os organizadores dos bailes funk!