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O Berro do Bode Zé
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O Maracujá grita que não morreu!

Fim da tarde e início da noite do dia 18 último trouxeram momentos de apreensão e desespero para as comunidades de Cachoeira e de Amarantina, esta última ainda mais afetada sob a forma de famílias desalojadas e desabrigadas, em consequência de inundação e desabamentos. A volumosa chuva, que caiu como há muito não acontecia, transformou o Maracujá em rio, de fato, levando o filete de água fétida de volta ao passado, quando não se ousava atravessá-lo como se anda na rua. O fenômeno (não existe desastre natural) tão comum no passado, rareou-se nos últimos anos, mas pode repetir-se a qualquer época, o que deveria impor aos responsáveis o cuidado de não se interpor qualquer obstáculo ao caminho natural das águas. As forças da natureza não são contra a espécie humana, mas cobram respeito à sua manifestação, o que muitas vezes não acontece. Por omissão da administração municipal, não exercendo a fiscalização sobre obras, um muro se construiu em volta do campo de futebol, à margem do Maracujá. Em consequência, parte das águas, que deveriam seguir seu curso original, é desviada para a rodovia, inundando-a defronte ao Oratório, podendo causar prejuízos a residentes e comerciantes ali estabelecidos. Celebra-se o fato de a enchente não haver produzido vítimas fatais, mas isso não quer dizer que na relação humana com a natureza está tudo bem, porque não está. Há que corrigir o curso dessa relação, adequando-se o comportamento humano ao que pede a natureza; há que rever conceitos do que seja correto e incorreto, no trato com o meio-ambiente; há que voltar e se redimir de omissões, que podem ficar mais caras no futuro. Apesar de tudo, o Maracujá está vivo!

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