O arquivamento do inquérito contra a concessionária dos serviços de água e esgoto, solicitado pelo Ministério Público de Minas Gerais, vem comprovar o que se suspeitava, desde o início: manipulação política em torno da aversão popular à cobrança daqueles serviços. Sabe-se que o município de Ouro Preto é um dos poucos, talvez o único onde, até há poucos anos, nada se pagava além de pequena taxa anual. Os tempos são outros, responsabilidade pública é outra e a saúde cobra mais higiene, razões suficientes para que também se redistribua a responsabilidade entre todos. Segundo o amplamente divulgado, nada foi encontrado de irregular no processo licitatório e documentos decorrentes do mesmo, que motivasse qualquer ação contra a denunciada ou anulação do processo. Além da primitiva ojeriza ao pagamento pelos citados serviços, que precisa ser revista à luz do bom senso, pesou na malandragem dos insufladores da revolta a simulação do custo, de acordo com a leitura do hidrômetro, embora ainda se pague apenas uma taxa fixa mensal. Em alguns casos, o alto e irreal consumo deveria servir de alerta ao consumidor. Este deveria policiar melhor os hábitos domésticos quanto ao consumo, verificar a rede interna, detectando possíveis e ocultos vazamentos. Arquivado o inquérito, ficou a mentira de uns, a frustração de outros, mas o ganho político contabilizou-se. Ficou também o ataque a uma ETA e consequente desabastecimento temporário de uma região. Pergunta-se: identificados e punidos os culpados? Ao terminar, um registro importante: em vários pontos, na rede pluvial, constata-se haver água (que não é de esgoto) a correr diuturnamente. Durante o dia não se percebe, mas no silêncio da madrugada, pode-se ouvir o som da água de certa distância. Pergunta-se aos que têm registros de consumo irreal na simulação: há nascente na rede pluvial?