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Medalha Pedro Aleixo recebe críticas pela indicação de Nikolas Ferreira

Medalha Pedro Aleixo recebe críticas pela indicação de Nikolas Ferreira

Cerimônia agraciou 13 personalidades influentes de Minas Gerais e do Brasil. Imagem: Amanda de Paula Almeida

Por: Amanda de Paula Almeida

Na última sexta-feira (21) aconteceu, no auditório do Colégio Providência, a cerimônia de entrega da medalha Pedro Aleixo, honraria instituída pela Lei Municipal n° 3.722/2022 e homenageia pessoas que contribuíram na promoção da justiça e do bem-estar na comunidade marianense. Neste ano, foram homenageados 13 homens de diversas áreas, são eles: Alexandre Silveira de Oliveira, Antônio Augusto Junho Anastasia, Carlos Henrique Martins Teixeira, Euclydes Marcos Pettersen Neto, Luís Eduardo Falcão, Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior, Marcelo de Oliveira Milagres, Mauro Henrique Tramonte, Nikolas Ferreira de Oliveira, Rodrigo Badaró Almeida de Castro, Sérgio André da Fonseca Xavier, Thiago Colnago Cabral e Thiago Fellipe Motta Cota.

Medalha Pedro Aleixo

Nascido em 1° de agosto de 1901, o marianense Pedro Aleixo foi um dos maiores políticos mineiros do século XX. Além de deputado federal, presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente da República, Aleixo foi professor titular do curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fundador do jornal Estado de Minas.

Em 1930 foi um dos líderes mineiros da revolução que levou à presidência do Brasil o gaúcho Getúlio Vargas. Já em 1943, durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), Pedro Aleixo assinou, junto de outros políticos, o Manifesto dos Mineiros, pedindo o retorno do país ao regime democrático. No entanto, durante o governo de João Goulart (1961-1964), foi um dos articuladores do golpe de estado que instaurou uma nova ditadura de 21 anos.

Eleito indiretamente vice-presidente da República para o período 1967 e 1969, Pedro Aleixo deveria assumir a presidência após a morte do presidente Costa e Silva, mas, por ter se posicionado contra a promulgação do Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1968, foi impedido de tomar posse pelos militares. Mesmo não assumindo o cargo, a Lei Federal nº 12.486/2011, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, incluiu o seu nome na galeria de ex-presidentes do Brasil. Em Mariana, além da medalha, Pedro Aleixo dá nome ao Paço Municipal, sede do Poder Executivo.

Solenidade de 2025

O desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior foi o orador da cerimônia deste ano. Imagem: Amanda de Paula Almeida

O presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, além de receber a homenagem foi também o orador oficial da cerimônia, discursando a favor da democracia e o respeito mútuo entre os poderes: “[Pedro Aleixo] foi a única voz, no Conselho de Segurança da República, que, em 13 de setembro de 1968, se insurgiu contra o Ato Institucional nº 5, o AI-5, em uma defesa inarredável da nossa democracia e das liberdades no Brasil”, afirmou.

Neto do patrono da honraria e presidente da Comissão da Medalha, o desembargador do TJMG Pedro Aleixo Neto, também destacou que a solenidade é em homenagem à dedicação do seu avô à defesa do estado democrático de direito. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), também ressaltou a importância de outorgar a medalha que leva o nome do presidente Pedro Aleixo: “Ele foi um dos mais notáveis marianenses, possuidor de uma história de vida linda, uma história de vida pública, de luta pela democracia, pela liberdade e por justiça”, destacou.

Representando Mariana, também recebeu a medalha o deputado estadual Thiago Cota (PDT), filho do ex-prefeito Celso Cota. O deputado acredita que todas as nomeações têm um comprometimento grande com a democracia: “Democracia é liberdade, mas mais do que isso, né? Democracia é justiça social, é oportunidade de emprego, geração de renda para muitas famílias, democracia é um futuro melhor para muita gente”, afirmou.

Homenagem a Nikolas Ferreira e repercussões

A homenagem ao Deputado do PL causou revolta em coletivo. Imagem: Amanda de Paula Almeida

A homenagem ao Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL) recebeu críticas do coletivo “Mães da (R)existência” que emitiu uma nota de repúdio à entrega da medalha. Na nota, o grupo defende que é “inaceitável que um defensor da anistia à tentativa de golpe de 8 de janeiro, apoiador da ditadura militar e condenado três vezes por transfobia receba tal honraria em uma cidade que tem enfrentado crimes de LGBTfobia”.

Em frente ao Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal de Ouro Preto, foram estendidas faixas em repúdio à presença do Deputado em Mariana. Nikolas Ferreira acumula denúncias por transfobia contra as Deputadas Duda Salabert (PDT) e Erika Hilton (PSOL), crime equiparado ao racismo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019.

Cartazes estendidos em frente ao ICSA. Imagem: Amanda de Paula Almeida

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