Imagem: Reprodução/ Vale
Uma nova unidade de beneficiamento de minério de ferro planejada pela Vale para a Mina Fazendão, em Mariana, poderá processar 21,8 milhões de toneladas de minério por ano. A capacidade prevista consta do projeto autorizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), em decisão publicada em 26 de setembro de 2026.
Segundo a documentação analisada pelo órgão ambiental, a estrutura terá capacidade para produzir até 12,6 milhões de toneladas anuais de pellet feed, material utilizado na fabricação de aço.
O empreendimento foi projetado para aproveitar minérios com menor concentração de ferro e ampliar o beneficiamento dos recursos disponíveis na mina. Atualmente, a usina existente no local possui capacidade de processamento de 6 milhões de toneladas por ano.
A implantação da nova unidade também deverá exigir uma grande mobilização de mão de obra. A estimativa apresentada pela empresa é de 3.603 trabalhadores inicialmente, podendo alcançar 3.786 no pico da primeira etapa e 3.858 na segunda fase das obras.
A Vale informou que pretende priorizar profissionais de Mariana e de municípios próximos, como Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais. A empresa prevê programas de capacitação e divulgação das vagas nas comunidades.
Depois de processado, o minério será encaminhado ao Terminal Ferroviário de Fazendão e transportado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.
A estrutura deverá funcionar ininterruptamente, durante 24 horas por dia e sete dias por semana. O efetivo estimado para a operação é de 711 trabalhadores por dia.
Medidas ambientais
O projeto prevê consumo de 876 metros cúbicos de água bruta por hora, com taxa de recirculação de 97,6%. O abastecimento utilizará fontes já autorizadas nas minas Fazendão e Alegria.
A implantação abrange uma área de 89,42 hectares e inclui intervenções em 6,40 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP), sem previsão de supressão de vegetação nativa nesses locais. Também foi autorizado o corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas.
A mineradora propôs recuperar 4,92 hectares de área degradada na Fazenda Fidalgo e destinar ao poder público um terreno de 1,48 hectare no Parque Nacional da Serra do Gandarela.
O planejamento contempla ainda a canalização de aproximadamente 700 metros do córrego São Luís, medida apresentada como forma de melhorar o escoamento das águas e reduzir a possibilidade de alagamentos nas instalações próximas à ferrovia.
Licenciamento
O licenciamento considerou três cavidades naturais subterrâneas identificadas na região. Uma delas, a BR_0026, apresenta danos registrados no parecer técnico, mas sua avaliação ocorre em procedimento específico.
A nova planta contará com sistemas de filtragem, tratamento de esgoto e controle de poeira e emissões atmosféricas, além de estruturas para empilhamento de rejeitos.
O processo nº 34164/2025 foi autorizado na modalidade Licenciamento Ambiental Concomitante (LAC 1), que reúne as etapas de licença prévia, de instalação e de operação.
A Mina Fazendão começou a ser explorada em 1963. A Vale assumiu as atividades em 1991.