UTI de Itabirito foi inaugurada há cerca de 2 anos. Imagem: Prefeitura de Itabirito/ Victória Oliveira
A secretária municipal de Saúde de Itabirito, Cleusa de Lourdes Claudino, utilizou a tribuna da Câmara Municipal durante a reunião ordinária realizada na última segunda-feira para prestar esclarecimentos à população sobre temas relacionados à gestão da saúde no município.
A participação ocorreu em atendimento a um pedido de direito de resposta protocolado em maio, após manifestações feitas por vereadores durante sessões legislativas.
Entre os principais assuntos abordados estiveram o funcionamento da UTI do Hospital São Vicente de Paulo, a atenção primária à saúde, o abastecimento de medicamentos, a ampliação dos atendimentos na UPA, a fila de cirurgias eletivas e a implantação do serviço de hemodiálise em Itabirito.
Situação da UTI
Ao comentar sobre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Cleusa esclareceu que as pendências relacionadas ao alvará sanitário já foram resolvidas. O tema ganhou repercussão após declarações do vereador Renê Butekus sobre uma fala anterior da secretária, ocasião em que ela informou que a Secretaria de Saúde aguardava a aprovação do alvará sanitário para o funcionamento dos leitos.
“Eu quero deixar bem claro que o alvará sanitário foi concluído. Quando nós tivemos a visita do Estado no hospital, o alvará estava com uma pendência mesmo, porque tinha que fazer uma regularização em um dos leitos da UTI”, afirmou a secretária.
Ela também informou que toda a documentação necessária para o credenciamento da unidade já foi encaminhada ao Governo de Minas Gerais e que o município aguarda a análise do processo.
De acordo com Cleusa, enquanto o credenciamento não é concluído, a Prefeitura continua realizando aportes financeiros ao hospital para garantir o funcionamento da UTI e o atendimento aos pacientes.
Atenção primária
A secretária também falou sobre a organização dos atendimentos nas unidades básicas de saúde, explicando que os períodos da manhã e da tarde possuem finalidades distintas: “A parte da manhã é liberada para atender os casos agudos, dando andamento aos pacientes que chegam à unidade se sentindo muito mal. À tarde, ficam todos os procedimentos eletivos”, explicou.
Segundo ela, a realização dos atendimentos eletivos está diretamente ligada ao cumprimento de indicadores estabelecidos pelo Ministério da Saúde. “Se a gente não cumprir esses indicadores que são definidos pelo Ministério da Saúde, os recursos não vêm”, disse.
O vereador Fernando da Sheila questionou a possibilidade de ampliação do horário de atendimento da UPA durante o período de frio, medida que já foi adotada anteriormente e que, segundo ele, apresentou bons resultados.
Cleusa informou que a Secretaria de Saúde realiza estudos para avaliar a viabilidade da medida. Segundo ela, já houve contato com uma empresa que poderia prestar o serviço, mas, neste momento, a situação da saúde no município é considerada controlada.
Debate sobre falta de medicamentos
Um dos momentos mais debatidos da reunião ocorreu durante os questionamentos sobre o abastecimento da farmácia municipal. O vereador Renê Butekus criticou a falta de medicamentos e relatou que a reclamação é frequente entre os moradores.
Em resposta, Cleusa discordou da classificação de que a situação seria de uma “falta exorbitante” e afirmou que os dados sobre os medicamentos disponíveis podem ser consultados pela população por meio do Portal da Transparência.
O vereador, por sua vez, sustentou que as reclamações recebidas diariamente apontam dificuldades para a obtenção de medicamentos comuns, como Omeprazol, e de remédios mais específicos, como os destinados a pacientes atendidos pelo CAPS.
A secretária argumentou que desconhece municípios do porte de Itabirito que mantenham disponibilidade integral de todos os medicamentos durante todo o tempo.
Cirurgias eletivas e hemodiálise
Outro anúncio feito pela secretária foi a disponibilização da fila de espera das cirurgias eletivas no Portal da Transparência. A medida tem como objetivo permitir que os pacientes acompanhem o andamento dos procedimentos e sua posição na fila.
A fala ocorreu em resposta ao questionamento do vereador Max Fortes sobre a longa espera por cirurgias. Segundo ele, há pacientes que aguardam há mais de um ano pela realização dos procedimentos.
Já sobre a implantação do serviço de hemodiálise em Itabirito, também questionada pelo vereador Max Fortes, Cleusa afirmou que os projetos já estão encaminhados e que os recursos necessários já existem. No entanto, o município ainda aguarda autorização do Governo do Estado para que os trabalhos possam ser iniciados.
A participação da secretária se estendeu por boa parte da reunião e foi marcada por esclarecimentos, cobranças dos vereadores e debates sobre os desafios enfrentados pela rede municipal de saúde.