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Golpes de engenharia social: quando o invadido é você

Vivemos na era dos golpes. Mensagens falsas, ligações urgentes, links suspeitos, armadilhas mentais cada vez mais sofisticadas. Muitas dessas fraudes dependem não só de invasões tecnológicas a sistemas de dados, mas de manipulação psicológica que já ganhou até nome: “golpes de engenharia social”.

Neles, o golpista se passa por alguém confiável, o gerente ou o funcionário do banco, o atendente de uma empresa conhecida, advogados e servidores públicos, de modo a induzir a vítima a agir por impulso e clicar em um link, fornecer um código de acesso ou fazer uma transferência.

E quando o prejuízo acontece, resta a desolação da vítima que é imediatamente acometida por sentimentos de vergonha e culpa, perguntando-se: como fui tão ingênuo (a)? A vergonha e o medo do julgamento alheio fazem com que muitas pessoas se retraiam e não compartilhem o que aconteceu, aumentando o seu sofrimento. O impacto financeiro leva a um estado psicológico de tristeza persistente e angústia. Afinal, a culpa é exclusiva da vítima?

Embora seja verdade que todos devemos agir com cautela, também se reconhece que as instituições financeiras têm o dever legal de oferecer sistemas seguros e mecanismos de proteção contra fraudes.

Isso significa que, em determinadas situações, instituições financeiras podem, e devem, ser responsabilizadas pelo prejuízo, sobretudo quando o golpe decorre de falhas na segurança do serviço ou da ausência de mecanismos eficazes de proteção. É o que acontece, por exemplo, em transações atípicas que não são bloqueadas ou sequer sinalizadas ao cliente.

Por outro lado, há situações em que os Tribunais, desconsiderando a hipervulnerabilidade inerente à pessoa consumidora, atribuem à conduta da própria vítima a causa determinante para a fraude, o que afasta essa responsabilidade, especialmente quando há fornecimento voluntário de senhas e códigos de verificação.

Mais importante do que discutir a responsabilidade depois do prejuízo é evitar que ele aconteça, por isso é importante desconfiar de contatos urgentes, não compartilhar senhas ou códigos, e, em caso de dúvida, procurar diretamente o canal oficial da instituição. Na sociedade dos golpes, a informação ainda é a melhor forma de prevenção.

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