Imagem: Fábio Augusto/ Marcos Delamore
Os estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) divulgaram nesta semana uma nota de repúdio contra a falta de estrutura no internato de Medicina de Família e Comunidade (MFC), realizado em localidades nos municípios de Ouro Preto e Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
De acordo com os relatos, os problemas vão desde a dificuldade logística até a insuficiência de campos de prática. O Centro Acadêmico Livre de Medicina Márcio Galvão (CALMED-MG) manifestou descontentamento com a Diretoria da Escola de Medicina (EMED/UFOP) e com o Colegiado de Medicina diante da ausência de soluções efetivas para regularizar o deslocamento dos alunos para regiões consideradas de difícil acesso, como Bairro Cabanas, Novo Bento, Santa Rita de Ouro Preto e Amarantina.
Transporte
O CALMED-MG relatou que os problemas já foram reportados às entidades institucionais há duas semanas e se agravaram com a transferência dos gastos pelo deslocamento aos estudantes.
“A inexistência de suporte logístico institucional transfere aos estudantes a responsabilidade integral pelo deslocamento, gerando custos incompatíveis com realidade socioeconômica de parcela significativa do corpo discente. Essa omissão impacta de maneira particularmente grave para os estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, comprometendo não apenas sua participação acadêmica, mas também sua permanência no curso”.
Falta de estrutura
A falta de estrutura nos municípios também preocupa. De acordo com o centro acadêmico, os alunos permanecem sem os recursos necessários pāra realizar o estágio.
“Tal cenário contribui diretamente para a elitização do acesso ao curso de Medicina da UFOP, na medida em que condiciona o adequado cumprimento da formação acadêmica à disponibilidade de ter veículos e recursos financeiros próprios para custear deslocamentos frequentemente longos, onerosos e inviáveis.
É inadmissível que, diante de reiteradas manifestações estudantis após várias semanas aguardando os pedidos de paciência da administração e da ciência ïnequívoca do problema, a Escola de Medicina da UFOP siga sem apresentar medidas concretas, efetivas e permanentes para garantir condições mínimas de acessibilidade aos campos de internato”.
Solicitações do Centro Acadêmico Livre de Medicina Márcio Galvão (CALMED-MG)
● A apresentação imediata de um plano institucional para oferta de transporte aos campos de internato de difícil acesso permanente para o internato de Medicina;
● A implementação de medidas emergenciais que garantam deslocamento seguro e regular dos estudantes para semestre 2026/2;
● O compromisso institucional com políticas de permanência estudantil que assegurem igualdade no acesso à formação médica para todos os estudantes do curso.
Nota da Escola de Medicina da UFOP
“A Diretoria da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto (EMED/UFOP), diante das manifestações apresentadas acerca dos campos de internato de Medicina de Família e Comunidade, considera importante esclarecer alguns aspectos institucionais.
A definição dos campos e da distribuição das vagas de internato constitui atribuição das coordenações específicas e das instâncias acadêmicas responsáveis, não cabendo à Diretoria da Escola a definição unilateral desses cenários.
Ainda assim, a Diretoria realizou, no âmbito de suas competências, tratativas junto aos setores envolvidos, buscando priorizar campos com melhores condições de acesso e revisar cenários apontados pelos estudantes como de maior dificuldade logística.
Nos campos localizados em Itabirito, permanece a oferta institucional de auxílio moradia, mecanismo historicamente adotado para viabilização das atividades acadêmicas nesses cenários. Nos demais campos, são disponibilizados auxílios transporte.
Os auxílios de transporte e moradia também são ofertados aos estudantes que realizam as demais modalidades de internato do curso de Medicina, a partir do 9º período, observados os critérios institucionais aplicáveis.
A ampliação de campos de prática exige, ainda, análise da disponibilidade de preceptores, bolsas de preceptoria e sustentabilidade pedagógica do internato.
A Escola de Medicina seguirá comprometida com o diálogo, a permanência estudantil e a construção conjunta de soluções.
Escola de Medicina – UFOP – Diretoria”