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Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, será elevado ao status de Museu Nacional da Inconfidência

Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, será elevado ao status de Museu Nacional da Inconfidência

Imagem e Texto: Marcos Delamore

O dia 21 de abril, data que celebra a memória e o legado histórico de Tiradentes, trouxe um anúncio importante para os inconfidentes de Vila Rica e para a cidade de Ouro Preto, no interior de Minas Gerais. O Museu da Inconfidência, no Centro Histórico do município, pode tornar-se referência como o primeiro museu nacional localizado fora dos grandes centros brasileiros.

Para o diretor do museu, Alex Calheiros, a possível mudança de nomenclatura da instituição, incorporando o título de nacional, reafirma a representatividade e o compromisso com a preservação da memória brasileira.

“Trata-se de algo diferenciado, estratégico para o estado brasileiro, pela história, acervo barroco, incluindo obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e memória política, a exemplo da Inconfidência”, ressalta Calheiros.

Nesta quarta-feira (22), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei para reconhecer a relevância nacional do Museu da Inconfidência e a elevação de seu nível de reconhecimento institucional e nomenclatura como Museu Nacional da Inconfidência.

No coração da Praça Tiradentes, o imponente edifício do Museu da Inconfidência, principal cartão postal de Ouro Preto, é vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)/Ministério da Cultura (MinC), e deve se tornar o primeiro museu nacional no interior do país.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Liberal, a presidenta do Ibram, Fernanda de Castro, comentou a novidade e enfatizou o caráter do museu de adequar o tradicional ao inovador. “Essa mudança de nomenclatura representa uma mudança de perspectiva do que o museu pode representar – no lugar que ele está, com a importância que ele tem, com o acervo que ele tem -, é totalmente possível combinar o tradicional com o inovador. Porque a gente não faz a transformação da sociedade baseada no nada, a gente faz baseado nas nossas lutas. O Museu da Inconfidência tem um enorme potencial mobilizador de transformação, de inclusão, de aproximar a sociedade civil na elaboração das políticas públicas. O Museu nos possibilita pensar na mudança do mundo”, declarou.

Ao reconhecer a relevância histórica do espaço, a medida também abre caminho para ampliar o acesso a recursos, projetos e políticas públicas culturais. Anualmente, o equipamento recebe 350 mil visitantes, dos quais 100 mil são estudantes.

Durante a Semana do Tiradentes, uma revelação surpreendente lançou nova luz sobre a história do líder da Inconfidência Mineira. Peritos da Polícia Civil identificaram que as anotações do “Livro do Tiradentes”, datadas de mais de 200 anos e integrante do acervo do Museu da Inconfidência, são autênticas e foram escritas em francês pelo próprio Joaquim José da Silva Xavier.

O exemplar de “Recueil des loix constitutives des colonies angloises, confédérées sous la dénomination d’États-Unis de l’Amérique septentrionale” conta com documentos constitucionais que ajudaram no processo de independência dos Estados Unidos e influenciaram a Inconfidência Mineira. “A confirmação de que também são suas as anotações manuscritas presentes no volume acrescenta uma evidência decisiva: Tiradentes não apenas teve contato com essas ideias, mas interveio diretamente sobre o texto como leitor ativo. A descoberta contribui, assim, para qualificar a compreensão de sua participação na Inconfidência Mineira, afastando interpretações simplificadoras que o reduziram exclusivamente à condição de homem de ação ou mártir político”, disse o diretor do museu. 

O Museu da Inconfidência foi construído originalmente entre 1785 e 1855 para funcionar a Casa de Câmara e Cadeia de Ouro Preto. Em 1944, foi inaugurado o museu para preservar, pesquisar e divulgar objetos e documentos relacionados à Inconfidência Mineira. Caso o Congresso Nacional aprove o projeto de lei, o Museu da Inconfidência irá se unir aos museus Nacional de Belas Artes, Histórico Nacional e Nacional, no Rio de Janeiro, e Museu Nacional da República, em Brasília.

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