Imagem: Pexels/Reprodução/Marcos Delamore
Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) repudia a distribuição de kits destinados a repúblicas estudantis da cidade histórica
A recente distribuição de um conjunto de medicamentos e produtos para reduzir os efeitos da ressaca e aumentar a libido têm ganhado contornos preocupantes na cidade de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. A comercialização de um “kit república” mirando estudantes do município mineiro, com a premissa de “iniciar uma relação de proximidade, confiança e responsabilidade no cuidado com à saúde” acende o alerta entre especialistas, que apontam os riscos do uso indevido e indiscriminado destes fármacos, sobretudo sem acompanhamento médico.
A Escola de Farmácia, integrada à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), emitiu um alerta sobre os riscos à saúde da comunidade acadêmica diante da incitação ao Uso Irracional de Medicamentos (URM).
“A distribuição indiscriminada de medicamentos, sem a devida dispensação por um profissional farmacêutico e fora de um ambiente de saúde, configura uma prática irregular. Isso desvaloriza a ciência farmacêutica, coloca em xeque a segurança da comunidade acadêmica e a confiança no profissional que historicamente cuida da saúde da população”, diz um trecho da nota de repúdio.
Entre os medicamentos incluídos no kit, estão:
● Tadalafila, um vasodilatador indicado para tratar disfunção erétil e apontado para melhoria do desempenho sexual, sendo sugerido pela farmácia em duas dosagens: 5 mg e 20 mg;
● Cápsulas para redução dos efeitos da ressaca;
● Flaconetes para libido feminina;
● Entre outros.
Segundo a diretoria e o corpo docente do departamento, o fornecimento desses produtos incentiva a automedicação. “A utilização de alguns desses medicamentos, associado ao consumo de álcool, pode causar alterações cardiovasculares graves, arritmias, e redução exacerbada da pressão arterial”.
Também em nota, o Conselho Regional de Farmácias de Minas Gerais (CRF/MG) informou que uma equipe foi designada para impedir a prática. “O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente aqueles sujeitos à prescrição médica, pode gerar riscos graves à saúde pública, o que inclui reações adversas, resistência microbiana e até mesmo situações de emergência sanitária”, pontua.
A Escola de Farmácia citou diretrizes que regulamentam a classe para reforçar a preocupação e reafirmar o compromisso com a formação ética e científica de profissionais farmacêuticos.
“A Escola de Farmácia da UFOP reafirma o compromisso com suas práticas de ensino voltadas ao Uso Irracional de Medicamentos e acredita firmemente que as autoridades competentes, bem como as entidades estudantis, atuem em suas alçadas, primando zelar pela integridade física dos estudantes, informem e contribuam para o combate a iniciativas que reduzem a saúde em todas as suas dimensões à mercadoria, que possa ser livremente consumida, inclusive para fins de entretenimento”.