Mauro Werkema
Vivemos um tempo de incertezas. E, seguramente, mais graves e inusitadas do que as descritas em 1977 pelo instigante livro “Era de Incertezas”, de Kenneth Galbraith, que assustou o mundo. É o que se conclui por um simples olhar do panorama atual do mundo, a que não escapa o Brasil. Vivemos, observamos e sentimos incríveis e assustadoras ocorrências que, segundo as mais abalizadas opiniões, deverão se repetir em escala crescente. E que não decorrem somente da crise climática que ameaça a sobrevivência de todos, como se demonstra nos debates da COP-30, que ocorre em Belém, mas também pela radicalização político-ideológica por que passa o mundo nesta terceira década do terceiro milênio. E a ameaça de guerras, agora com armas supersônicas com potencial nuclear e destruição em massa. As previsões otimistas de que teríamos novos tempos de paz e prosperidade, como dito e previsto na passagem do milênio, desfazem-se com novas, drásticas e assustadoras previsões e, o que é mais grave, já estão na nossa atualidade e na nossa porta.
Os tufões no Paraná, inusitados no Brasil, mostram destruição instantânea, de uma cidade. Tornados ocorrem com mais intensidade, no sul dos EUA e na América Central. Meteorologistas preveem acidentes climáticos, com tornados e vendavais, mais frequentes para outras cidades brasileiras em decorrência de alterações decorrentes do desequilíbrio ambiental por que passa o mundo. Na COP, em Belém, esta nova realidade se demonstra objetivamente nos debates e previsões e o que se conclui é que não será fácil ao mundo atual, aos países, conseguir acordos para medidas eficazes de combate à crise climática e seu financiamento, com a urgência que a realidade atual exige.
É essencial acelerar a transição energética, implementando energias limpas, eólicas e solares. E abandonar os combustíveis fósseis, especialmente o petróleo e o carvão, o que não é fácil nem rápido. É preciso evitar a destruição de florestas, pulmões do mundo e que absorvem o gás carbônico que acaba por desequilibrar a proteção atmosférica. É preciso conter a elevação das temperaturas que provocam o aquecimento do mundo, especialmente dos mares, causa principal das precipitações atmosféricas que provocam os tornados e outros acidentes climáticos. É preciso substituir modelos industriais poluentes ou que deterioram o meio ambiente com resíduos tóxicos e comprometedoras do ar. E, especialmente no Brasil, eliminar o desmatamento criminoso, que persiste, na Amazonia, no Cerrado, grave crime contra as Humanidade e a vida.
Mas é grande a incerteza quanto a transformar discursos em realidades. A COP de Paris avançou muito na indicação de metas para conter a crise ambiental. Mas a avaliação que se realiza na COP de Belém é que os resultados, até agora, não são satisfatórios. E encontra resistência quanto a financiamento e adoção de medidas objetas de redução das fontes poluidoras. Há que se mudar hábitos de vida coletiva, modelos industriais, conter urbanizações desordenadas, conter a destruição dos rios e mananciais de água. E muito mais. Na verdade, precisamos fazer nascer um novo mundo. Ambientalmente seguro, socialmente mais justo, com eliminação da pobreza, convivente e respeitoso com a natureza e que permita acesso equalitário de todos às conquistas da civilização.
A era das incertezas aumenta quando o mundo se arma cada vez mais para a guerra. E agora com o avanço das tecnologias que permitem armas cada vez mais destrutivas. A polaridade ideológica se sustenta nas guerras, nas ambições políticas, impedem diálogos cooperativos. E induzem a novas e graves ameaças ao mundo, além da crise ambiental. Guerras estão no cenário mundial atual. E, neste quadro, desponta a conduta dos EUA, que nega a crise climática, ameaça com invasões, não comparece aos debates, em um negacionismo anacrônico e reacionário que, no momento, representa o mal maior da Humanidade que busca diálogo e cooperação. Conduta inexplicável e injustificável. E que representa hoje a incerteza maior.