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Carta aos Tempos
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Eleitores voltam às urnas para um segundo turno

No dia 25 próximo, o eleitor brasileiro comparecerá às urnas para o segundo turno da eleição presidencial. No primeiro turno, o candidato Flávio Bolsonaro obteve 47,3% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%, margem não muito elevada para uma eventual reversão de resultados. Mas essa possibilidade não é fácil, uma vez que o tempo é curto para que as campanhas possam alcançar os eleitores deste imenso e geograficamente disperso Brasil.

O que assistimos, assim como ocorreu no primeiro turno, é uma eleição polarizada ideologicamente e com visões políticas bem diferenciadas. Cabe ao eleitor que deseja oferecer um voto consciente conhecer bem as duas propostas, bastante diferenciadas quanto à ideologia política e também quanto às ideias governamentais.

O Tribunal Superior Eleitoral divulga que 124,8 milhões de eleitores votaram no primeiro turno, com abstenção de 33,4 milhões, correspondentes a 21,07% do eleitorado total, recorde de toda a série histórica eleitoral. Minas Gerais foi o terceiro maior Estado em abstenção, com 22,77% dos eleitores não comparecendo às urnas. A maior foi a do Mato Grosso do Sul, com 23,87%.

O senador Flávio obteve 48,3% dos votos em Minas Gerais, enquanto o presidente Lula alcançou 43,3%. Flávio superou Lula no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, e Lula ganhou em todo o Nordeste. Os outros candidatos tiveram votações bastante menores. A regionalização confirma a polarização ideológica.

O grande debate se centraliza nas possibilidades de uma reversão dos resultados eleitorais do primeiro turno, o que exige campanha rápida — tarefa nada fácil, segundo analistas. Mas vivemos tempos inusitados, em que as campanhas eleitorais parecem obedecer majoritariamente à polarização ideológica, mesmo acima e além do julgamento dos governos e seus desempenhos administrativos.

Os resultados deste primeiro turno já mostram muitas surpresas, com derrotas de parlamentares antigos e eleição de novatos, mas a taxa de renovação de parlamentares é muito baixa, não passando de 30%. Não há, portanto, renovação expressiva, o que não é salutar para o regime democrático.

Um novo e expressivo fenômeno ficou muito claro nesta eleição: o poder das mídias sociais. A divulgação massiva, propiciada hoje pela internet e suas diversas plataformas e linguagens, incorporou-se decisivamente na propaganda eleitoral, em tempo recorde e baixo custo, mas com os perigos da propaganda enganosa, que não oferece, em sua maioria, possibilidade de julgamentos diferenciados. Na eleição parlamentar, a mídia eletrônica prepondera e elegeu vários candidatos que souberam usar a propaganda digital — fenômeno novo que se demonstra e se consolida nestas eleições.

O mais importante, neste momento do debate eleitoral, é que o eleitor tenha plenas condições de exercer seu voto, expressão maior da cidadania, com plena consciência de suas escolhas. Dois candidatos, muito diferentes em suas ideias, posturas, pautas e propostas, disputam a Presidência da República em momento muito complexo e importante em todos os aspectos da vida nacional, como também no contexto internacional.

O Brasil ainda tem regiões pobres e carentes, mas também apresenta crescimento econômico positivo nos últimos anos. Há avanços sociais significativos. Empregos e renda crescem. A inflação aproxima-se da meta desejável. É necessária a renovação ética do Poder Judiciário. E que o crime organizado seja combatido com rigor. O Brasil vem sustentando sua soberania política e territorial. Precisa ajustar suas contas públicas e a sustentabilidade fiscal. Que seja concluída a reforma tributária. E que se dê a atenção devida à saúde pública, à educação e aos programas sociais para os mais pobres e necessitados.

O que se espera é que, neste curto segundo turno, algumas propostas possam permitir a diferenciação de que o eleitor precisa para dar um voto consciente, em favor do Brasil e de todos. Vamos às urnas com a plena consciência de que o Brasil precisa de votos conscientes e responsáveis. E de um futuro sempre melhor.

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