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Carta aos Tempos
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El Niño” e a crise climática ameaçam a vida no mundo

A chegada do “El Niño” preside, nos últimos dias, o debate sobre a crise climática já anunciada e em discussão em todo o mundo. As previsões são variadas, ora catastróficas, ora amenizadas, mas todas concordam sobre a necessidade de adoção, desde já, de precauções, com remoção de situações que podem oferecer riscos mais evidentes. E os impactos podem atingir não só as cidades como também as atividades agropecuárias, segundo as previsões que já se apresentam. O fenômeno vem sendo debatido intensamente nas últimas reuniões das conferências internacionais sobre o clima, mas ainda persistem muitas dúvidas e discordâncias entre países e climatologistas. Que alterações climáticas ocorrerão é bastante certo, e todos — países, regiões, cidades — devem se precaver. É recomendável e urgente.

Além dos transtornos que podem surgir nas cidades, admite-se agora que podem também ocorrer alterações nas condições agropecuárias, com atraso no plantio de grãos como milho e soja, redução ou perda da qualidade das safras e dificuldades para a agropecuária. Previsões já divulgadas sinalizam que os eventos climáticos podem trazer dificuldades para o agronegócio, diretamente dependente do clima, tornando-se um desafio novo e ainda de difícil previsão quanto à sua intensidade, durabilidade e alcance territorial. E coloca-se como um novo problema além da guerra entre Estados Unidos e Irã, que atrapalha o mercado de fertilizantes e a oferta de combustíveis, especialmente o diesel.

Essas questões têm dimensão global, assim como as soluções possíveis. Mas exigem, desde já, ações preventivas locais. Os efeitos podem apresentar maiores dimensões em situações específicas, o que torna previsões mais difíceis. Ainda assim, há situações passíveis de antecipação, como proteção de encostas em risco, rios e córregos com histórico de alagamento, construções mais frágeis a ventos fortes, árvores em risco, cabeamentos elétricos e muitos outros fatores de desabamento. Advertências já estão sendo feitas, e cabe a prefeituras, galpões industriais e residências avaliar desde já esses perigos. Em alguns países já ocorrem demonstrações da crise climática, com elevação de temperaturas, incêndios e tempestades, como tem sido divulgado nos últimos dias.

A eliminação das florestas tropicais, como ocorre no Brasil, contribui para a crise climática. Já ocorre também a elevação comprovada da temperatura do Oceano Pacífico, na altura de países como Peru e Equador. A contínua e forte emissão de gases poluentes, a destruição da camada de ozônio que protege a calota terrestre, a alteração da circulação dos ventos e a mudança dos padrões de chuva são fenômenos esperados. Prevê-se alterações no regime de chuvas para o Sul do Brasil, enquanto podem ocorrer mais secas no Nordeste. No Sudeste e Centro-Oeste podem ocorrer períodos prolongados de calor extremo e chuvas irregulares.

Os fenômenos climáticos ainda não têm estudos científicos que permitam previsões mais exatas quanto a ocorrências e intensidades. Mas todos estão sob intensa observação científica. O desafio maior é conseguir, especialmente dos países mais poluidores, a redução ou eliminação dos fatores causadores da perturbação climática. Será preciso mudar estilos de vida, processos industriais, ampliar o respeito à natureza, reorganizar áreas urbanas e adotar muitas outras condutas que hoje se chocam com o ordenamento natural do mundo.

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