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Carta aos Tempos
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Desastres ambientais do “El Niño” já anunciados para este ano

As Conferências da ONU sobre as mudanças climáticas, criadas em 1955, vêm buscando soluções globais que possam frear o aquecimento global que ameaça o mundo. A última, realizada em Belém, no Brasil, a COP 30, embora tenha promovido ampla discussão sobre a crise, com presença de quase uma centena de países, não evoluiu quanto a ações concretas para frear o avanço da deterioração ambiental, como se prevê necessário e urgente. E, agora, surge um atemorizante aviso, que atinge a América Latina, de que um super “El Niño” acontecerá este ano, com fortes possibilidades de desastres nas regiões Sul e Norte do Brasil. É o que preveem meteorologistas, com ocorrências de chuvas e ventos extremos capazes de causar enchentes e transbordamento de rios, derrubada de encostas urbanas e outros desastres.

Mas, infelizmente, a crise anunciada não parece atemorizar os municípios brasileiros que estão sob ameaça e que precisam adotar providências cabíveis e possíveis para atenuar os desastres previstos. Não faltam alertas e previsões de autoridades, cientistas e órgãos meteorológicos. O “El Niño” é uma ocorrência climática causada pelo aquecimento acima da média do Oceano Pacífico, próximo à Linha do Equador, provocando chuvas fortes, sobretudo no Sul do Brasil, enquanto o Centro-Oeste terá temperaturas mais elevadas, propiciando incêndios. Choverá menos na Amazônia, mas será maior o risco de incêndios devido ao calor. Estima-se que a temperatura do Pacífico já subiu perto de 1,5 grau.

Assustadora também foi a palestra do cientista climático Guy McPherson, reconhecido mundialmente e amplamente divulgada pelo Instituto Libertas, que fala claramente em extinção da vida em regiões do mundo se não ocorrerem desde logo providências concretas de vários países poluidores, em especial dos EUA e da China. Os EUA se recusam a participar e não assinam as recomendações das COPs. O que não é fácil, em tempo curto, pois implica alterar o uso de combustíveis como o carvão e o petróleo, cortar a emissão de gases poluentes, modificar plantas e plataformas industriais e até modos de vida de populações e cidades. E conter desmatamentos e destruição de florestas, evitar a poluição dos rios e o impedimento de suas calhas, causadoras de inundações. O mundo teria que mudar estilos de vida, economias, tecnologias poluentes, modificar plantas industriais e muito mais. Tarefas difíceis para os países mais pobres.

O Ministério da Ciência e Tecnologia elaborou, junto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um relatório com recomendações preventivas aos municípios com relação aos efeitos das alterações climáticas. É preciso que identifiquem riscos capazes de causar desastres de maiores proporções em rios, encostas, edificações em risco e outras possíveis ocorrências. E prever o bom escoamento das chuvas fortes, além de fragilidades das redes elétricas e áreas de ocupação por construções instáveis e perigosas. É hora de elaboração de um plano de suportabilidade e contenção.

A verdade é que a crise climática, segundo todas as previsões, está à nossa porta e já é hora de um enfrentamento preventivo que pode minimizar desastres. E lembrar que os desastres podem ser produzidos por chuvas intensas, enchentes, desabamentos, seca e calor excessivos, dependendo das condições territoriais e sociais em que esses eventos podem ocorrer. É preciso elaborar um “mapa de gestão de riscos”. Embora sem uma previsão específica, é prudente que as cidades da Região dos Inconfidentes, incluindo distritos, já tenham um diagnóstico de riscos e indiquem ações preventivas. E, especialmente, Ouro Preto, com topografia acidentada e ocupações em áreas de maior aclividade e geologicamente instáveis. E o tempo é cada vez mais curto.

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