Chegamos a mais um ano de Copa do mundo. Mais do que um campeonato, este é um dos raros momentos em que o mundo inteiro parece experimentar a mesma sensação, onde pessoas são unidas em um sentimento coletivo de competitividade sadia.
Em meio à correria da vida e às dificuldades do cotidiano, a Copa devolve ao povo do mundo todo a chance de sonhar junto, de acreditar e sentir emoção verdadeira, algo a cada dia mais difícil, na atualidade.
Para nós, brasileiros, a participação em uma Copa não é apenas futebol, vai muito além disso. É a lembrança de que um povo inteiro consegue se unir pelo amor à sua camisa, e este ano, especificamente, quando uma polarização absurda toma conta do país, dividindo a população de uma maneira inacreditável, mais do que nunca este sentimento é necessário.
Quando o time entra em campo, independentemente de outras questões, o tempo parece parar. As ruas ganham cor, os corações batem mais fortes e até quem diz não gostar de futebol acaba sendo tocado pela emoção que invade o pais inteiro. É mais do que um jogo, é um sentimento que atravessa gerações.
Hoje em dia, com as dificuldades que enfrentamos, precisamos, mais do que nunca, sermos “o país do futebol”, definindo esta frase não por sermos o melhor time do mundo, o que infelizmente deixamos de ser há algum tempo, mas pelo sentimento de união que este time pode trazer, sendo ele melhor ou pior.
Precisamos voltar a sentir orgulho pela nossa história, pela nossa gente, precisamos nos unir, e sentimos esta união na torcida, no grito que sai da garganta a cada gol, nos abraços em desconhecidos que torcem juntos.
Mesmo em tempos difíceis, o brasileiro encontra na Seleção um motivo para acreditar que tudo pode melhorar, e esta sensação nos leva a acreditar que podemos ter esperança de um país melhor. Se conseguimos encontrar esta união em uma partida de futebol, por que não a conservarmos em outras questões, em outras áreas tão necessárias?
Mesmo depois de tantos anos sem uma vitória, resistimos às decepções e continuamos torcendo, talvez porque crescemos ouvindo histórias de glórias passadas, vendo imagens que fizeram nosso povo chorar de alegria e acreditando que um dia voltaremos a sentir isto. A Copa nos lembra de quem somos: um povo sofrido que, mesmo cansado, nunca deixa de sonhar. Porém, mais importante do que sonhar, é lutar pela realização dos sonhos, e isto precisamos trazer para fora do estádio, para a construção de um país melhor.
Quem sabe acordamos nesta Copa do Mundo e, vencendo ou perdendo o campeonato, conseguimos trazer para fora do estádio esta união, esta garra, esta crença e esta luta para um país melhor?
Pode parecer utópico, mas não custa tentar. Aí sim, terá valido a pena a Copa, independentemente do resultado dos jogos.