O Liberal
Últimas Noticias
Amenidades
3 min

Criança chata

“- Fulano é muito chato.

– Não fale assim. Ele só tem cinco anos.

– E o que tem isso?

– Não existe criança chata.

– Existe sim e o fulaninho é prova disto. Ô menino chato!”

Omiti o nome da criança no diálogo, mas depois de ouvi-lo, fiquei pensando em como nós criamos certos estereótipos e passamos a vida repetindo-os. Dizer que uma criança é chata é um destes pensamentos politicamente incorretos, que a gente descarta automaticamente, até que aparece alguém mais corajoso e fala o que muitos pensam e não verbalizam.

A verdade é que ser criança não é salvo conduto para não ser chato, irritante, inconveniente e afins. O que precisamos entender é que a culpa obviamente não é da criança, mas do adulto responsável que não educa e não impõe limites.

Aos cinco anos de idade, é impossível conhecer normas de educação e convivência. É natural o pequeno querer chamar a atenção, querer entrar no meio da conversa, querer sair correndo nos corredores do supermercado incomodando todo mundo, querer gritar dentro do ônibus, entre outras coisas. É natural a criança “querer”, o que não pode acontecer é o adulto permitir.

Quando os responsáveis ensinam desde cedo respeito aos limites, a criança já cresce sabendo identificar até onde pode e não pode ir, e isto não é repressão. Ensinar, desde que a criança começa a andar, que ela não pode sair correndo entre as mesas de um restaurante ou pelos corredores de um supermercado é função do responsável, para que aos cinco anos de idade ela não tome estas atitudes.

Da mesma maneira, se quando a criança começar a falar junto com o adulto, exigindo ser ouvida, o responsável ensiná-la que é preciso ouvir o outro, esperar sua vez de falar, e com carinho ir ensinando, dificilmente ela estará fazendo isto aos cinco.

São exemplos de muitos que poderiam ser dados, em que cabe aos adultos impedirem a “chatice” da criança. As ações de uma criança são reflexo da educação que ela recebe, e quando esta educação é falha, cai por terra o politicamente correto “não existe criança chata”.

Existe sim, e verbalizar isto não é o fim do mundo. Ninguém é obrigado a achar bonitinho malcriações e birras em público, e o fato de não ser culpa do pequeno que está incomodando não diminui o incômodo.

O argumento “ele só tem cinco anos” fala sobre os responsáveis e não sobre a criança. Com esta idade, obviamente ela não tem consciência da sua chatice, quem a permite é que é culpado.

Resumindo: ainda que sem culpa, existe criança chata, sim.

Todos os Direitos Reservados © 2026

Desenvolvido por Orni