Imagem: Duarte Júnior/Assessoria/ Marcos Delamore
Duarte Eustáquio Gonçalves Júnior, mais conhecido como Duarte Júnior, nasceu em Ponte Nova, no interior de Minas Gerais, em 1980. Filho de Duarte Eustáquio Gonçalves e Maria da Conceição de Vasconcelos Gonçalves, e de família ligada à política, o candidato possui formação de advogado, gestor público, e mestre em Recursos Hídricos. Ele também é fundador do CORIDOCE – Fórum Permanente dos Prefeitos da Bacia do Rio Doce.
Duarte ingressou na vida pública ao ser eleito vereador de Mariana em 2000, quando recebeu 657 votos. Em 2012, foi eleito vice-prefeito do município mineiro. Na eleição seguinte, se candidatou para Prefeito Municipal, sendo eleito com 26.078 votos. Em 2022, disputou também a eleição para deputado federal, conquistando 40.826 votos e empossado em 2024.
Nas Eleições de 2026, o candidato busca uma vaga no Congresso Nacional. Na conversa, Duarte Júnior relembra os principais momentos da trajetória profissional e política e apresenta as expectativas para a próxima disputa eleitoral. Confira a entrevista completa:
O LIBERAL: O que motivou o senhor a ingressar na vida pública e disputar o primeiro cargo eletivo? Como foi o início dessa trajetória e quais experiências daquela época ainda influenciam sua atuação política atualmente?
DUARTE JÚNIOR: Desde muito cedo, eu tinha esse sentimento público de querer ajudar o próximo. Convivi no mundo onde o meu pai sempre teve o cuidado e o carinho com as pessoas mais humildes e aquilo me motivava. Eu queria ser igual ao meu pai, queria ajudar a resolver o problema de outras pessoas. Fui moldado e forjado no meio do povo. A gente tem que se relacionar com todo mundo, tem que ter acesso a todas as pessoas, mas esse acesso é para ajudar as pessoas menos favorecidas, para que possamos abrir portas para minimizar os impactos que essas pessoas sofrem. Então, eu fui forjado para buscar bons relacionamentos que possam me ajudar a contribuir, a minimizar o sofrimento de uma pessoa num determinado momento, ou buscar uma solução para algo que ela precise resolver. É isso que me motiva e é isso que me mantém vivo na política.
OL: A experiência acumulada na gestão municipal influenciou sua decisão de buscar um mandato na Câmara dos Deputados? De que forma?
DJ: Na minha vida, sempre busquei o conhecimento. Fui vereador com 18 anos, fui vice-prefeito, prefeito, fundei o Consórcio Público para Defesa e Revitalização da Bacia do Rio Doce (CORIDOCE), e tive a oportunidade de estar em Brasília por um curto período, mas também foi um aprendizado gigante. E isso, claro, a cada dia você se torna uma pessoa melhor, se você buscar o conhecimento, buscar o entendimento. É isso que eu tenho feito todos os dias, buscar entendimento, conhecimento para tentar errar o mínimo possível. Não existe ninguém melhor do que ninguém. Eu nunca tive, para mim, isso de chegar em um determinado cargo. Cargo, a gente tem que ocupar um, ou vai para frente ou para. Você tem que andar para frente, nunca ficar acomodado em determinadas situações. Eu não gosto de ficar acomodado. Eu tive em Brasília e percebi, com todo respeito aos deputados que estão lá, mas eu conheço vereadores daqui que tem muito mais preparo, muito mais conhecimento e que sabem o que é que a população precisa, porque quem tá lá não é quem vive aqui na ponta, não é quem sabe a dificuldade do povo. Pouquíssimos, ou quase nenhum, foi vereador, vice-prefeito, prefeito, e sentiu na pele o que o povo precisa. Eu consigo compreender isso porque eu vivi, passei por todos esses estágios. Eu entendo a necessidade e o que o povo espera e precisa. Então, verdadeiramente, a gente precisa de menos Brasília, menos estado e mais municípios.
OL: Como o senhor avalia a realidade atual dos municípios da Região dos Inconfidentes?
DJ: Cidades mineradoras, como Mariana, Ouro Preto, e Itabirito, enfrentam problemas muito parecidos. É inadmissível que cidades da importância dessas recebam tão pouco recurso. Sigo trabalhando para criar oportunidades, buscar investimentos, proteger nossos recursos naturais e transformar a vida de quem vive nas nossas cidades. Uma região do tamanho da importância da nossa precisa de um deputado federal, que, no mínimo, direcione metade das suas emendas na região onde ele é majoritário. Nós estamos falando de R$ 97 milhões em emendas. Entendo isso e compreendo que ter alguém da região é fortalecer toda a nossa população. A gente só vai quebrar isso, se a gente tiver um filho da região que, verdadeiramente, entenda a importância das duas maiores cidades de Minas Gerais e do Brasil. Então, é isso que eu tenho tentado demonstrar com as pessoas, quem vota no Duarte Júnior, não vota simplesmente no Duarte Júnior, ela vota na sua região, ela está lutando pela sua região ter mais força, mais representatividade. Isso é muito importante na política.
OL: Caso seja eleito para a Câmara dos Deputados, quais iniciativas o senhor pretende defender para contribuir com o desenvolvimento dos municípios da região e ampliar os investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura, segurança e geração de emprego?
DJ: Como deputado federal, a gente passa a representar, sem dúvida alguma, a nossa região e vamos estar levando para dentro do Congresso Nacional as pautas que a gente entende que merece uma atenção especial. Tem algumas pautas que são prioritárias para mim. A pauta da repactuação, mineração, saúde, educação e desenvolvimento da nossa região. Vou buscar mais recursos para os municípios, defender a educação, valorizar o patrimônio histórico, fortalecer a cultura e incentivar o turismo, defender policiamento preventivo, integração das forças de segurança, promover investimentos em esportes, fiscalizar a duplicação da BR-262 e a BR-356 para serem mais seguras, viabilizar a saúde mais perto das pessoas, busca a reparação justa, melhorias para agricultura, zona rural, e meio ambiente, valorizar a economia local e pequenos negócios, e ouvir prefeitos, vereadores, lideranças e a população. Eu acho muito difícil mudar, de forma inicial, ou trazer uma grande melhoria inicial na vida das pessoas. Até porque você assume no ano e tudo que você fizer só tem impacto no ano posterior. No primeiro momento, é demonstrar respeito com a Região dos Inconfidentes, com toda a região em que recebemos apoio e fazer os recursos da repactuação serem bem aplicados dentro da Bacia do Rio Doce. Buscar recursos e programas dentro dos Ministérios, conhecimento para o terceiro setor, para trazer recursos das grandes empresas para todas essas pessoas que fazem o trabalho no terceiro setor. A partir do segundo ano, as nossas emendas vão começar a fazer a diferença. Quero retomar uma pauta de um projeto que eu iniciei em que, pelo menos, um percentual de 5% do CFEM seja aplicado no meio ambiente. Não é possível, a gente retira toda a nossa riqueza do meio ambiente e nada ou muito pouco está voltando para o meio ambiente. Eu sou de cidades mineradoras. Eu participei do maior acordo de um ente privado pagando a um ente público. São R$ 2,4 bilhões. Eu sei o que é o benefício e o malefício das mineradoras. Tem que respeitar mais as cidades mineradoras. Eu quero apresentar um projeto, porque as mineradoras pagam para retirar o minério do solo. Então, é pago o CFEM para retirar, mas não pagam pelo dano que você traz à cidade. Você traz dano à mobilidade urbana, um aumento significativo na saúde e na educação. Usam toda a nossa estrutura e acham que estão pagando e é bom. Não é. Está errado.
OL: Como o senhor avalia o cenário atual de Minas Gerais, especialmente em relação às finanças públicas e à capacidade do Estado de investir e atender às principais demandas dos municípios e da população?
DJ: Nós temos um Estado de Minas Gerais quebrado. A realidade é essa, o Estado está quebrado. Quem fizer propostas de que vai resolver tudo, não tem jeito, ninguém consegue fazer nada se tiver recurso. Entretanto, busco o fortalecimento da região, a aplicação das minhas emendas, com toda certeza, a sua grande maioria será dentro da nossa região. Quero cuidar muito da repactuação. No Acordo de Repactuação, tem recurso para a gente transformar a vida. E esse recurso, obrigatoriamente, tem que ser aplicado dentro da Bacia do Rio Doce. Eu quero estar acompanhando todo esse recurso dentro da Bacia do Rio Doce para que ele seja bem aplicado e melhore a vida das pessoas. Eu quero estar muito próximo ao governador para poder representá-lo, até porque quem vai escolher é a população e eu não quero ser oposição ao Governo Federal, eu quero construir. Eu acho que, nesse momento, com a experiência que eu tenho, posso contribuir muito para construir. Da mesma forma com o Governo do Estado. Se eu perceber que tenho espaço para ajudar a fazer as coisas acontecerem, independente de quem for o nome que seja eleito, eu vou ser municipalista. Quando eu digo que vou ser municipalista, vou defender a pauta do município, a pauta do asilo, da APAE, do terceiro setor, dos serviços públicos. Essa vai ser minha prioridade.
OL: Como o senhor pretende levar a experiência e os aprendizados acumulados ao longo da sua trajetória de gestão para outros municípios e contribuir, em âmbito estadual, para o desenvolvimento de Minas Gerais?
DJ: Eu acho que, de verdade, o que eu fiz de mais importante para Mariana e Ouro Preto é algo que me enche de orgulho. Ouro Preto não era reconhecido como atingido, porque a Calha do Rio Doce não passa na cidade. E, através da minha argumentação, Ouro Preto foi incluído e o município já recebe os benefícios disso. Em Mariana, algo que também me enche de orgulho é que, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, as empresas ofereceram R$ 100 milhões para a quitação total. As empresas me ofereceram esse valor e eu fui firme em não aceitar. Depois as empresas ofereceram ao meu irmão R$ 1,2 bilhão e quase todos os municípios assinaram. Ele foi firme e não assinou. E, hoje, é o maior pagamento de um ente privado a um ente público de R$ 2,4 bilhões e não apenas R$ 100 milhões. Tem a minha digital nisso. Isso podia ter terminado lá atrás com R$ 100 milhões. Eu lutei, eu fiz a minha cidade levantar a sua voz e eu tenho muito orgulho disso. Articulei os prefeitos, cobrei a reparação do Rio Doce e trabalhei para que os municípios atingidos tivessem mais força nas negociações. Eu transformei a vida dos municípios, transformei mesmo. Quando eu passei a representar os municípios que não tinham aderido à repactuação, eu percebi que o acordo estava indo para o caminho de finalizar e chamei as empresas para conversar. Não podia deixar para trás os municípios que já assinaram. Porque quem já assinou, quando você tá num acordo, você dá a quitação, você não tem direito a mais nada. E todos esses 26 municípios que já tinham assinado, eles não tinham direito a receber nem mais um real. Acabou o direito desses municípios quando eles assinaram aquele documento. Nesse momento, eu conversei com as empresas sobre essa situação e as empresas também entenderam isso. Reconheço e passei a ter um respeito maior por essas empresas, porque elas não viraram as costas para quem assinou esses documentos. Se Ponte Nova, hoje, recebe R$ 25 milhões de reais a mais foi o Duarte Júnior. Se Barra Longa assinou e recebe R$ 60 milhões a mais foi através do meu trabalho. Se a cidade de Timóteo recebeu foi do nosso trabalho, São Pedro dos Ferros da mesma forma. Então, eu sei que esses prefeitos reconhecem isso. Eu sei que eles têm uma gratidão. Estou fazendo isso para vocês perceberem a importância de alguém defendendo a nossa região e se vocês puderem deixar que alguém me apoie, eu vou ficar muito grato.
OL: Ao assumir a Prefeitura de Mariana em 2015, quais foram as principais dificuldades e prioridades da sua gestão?
DJ: E aquele momento era muito difícil. Com o rompimento da barragem de Fundão, eu não conseguia desenvolver as obras que o município esperava de mim, a dificuldade de pagar o servidor, o crescimento vegetativo da folha e dos gêneros alimentícios. Enfrentamos uma crise financeira e a pandemia de Covid-19. Em cada missão, trabalhei com diálogo, responsabilidade e compromisso para encontrar soluções e melhorar a vida das pessoas. Criamos a Casa de Apoio em Belo Horizonte para acolher pacientes de Mariana que fazem tratamento fora do município, com espaço para alimentação, descanso e orientação. Construí e inaugurei escolas e creches, reformei unidades e ampliei a estrutura da rede municipal. Reduzi gastos, reorganizei a administração e preservei o pagamento dos servidores, garantindo equilíbrio financeiro ao município.
OL: O que mudou na sua trajetória política desde a última candidatura até esta nova disputa? Quais experiências desse período considera mais importantes para o momento atual?
DJ: A cada dia que passa, busco mais conhecimento, mais aprendizado e eu me sinto ainda mais preparado para a disputa do cargo. Muda a forma da minha estrutura política também. Hoje, eu tenho pessoas que estão contribuindo muito comigo. Não é mais uma eleição como foi há 4 anos atrás. Dessa vez, nos organizamos melhor e temos uma estrutura bacana, com um coordenador que tá me ajudando demais. Ampliamos o número de cidades, vamos fechar esse período com 94 municípios com a presença do Duarte Júnior e, em mais de 60 municípios, com uma presença muito forte, com um grupo político que vai trazer uma resposta pelo trabalho que a gente fez. Então, eu me sinto muito mais forte, muito melhor estruturado.
OL: Para finalizar, qual mensagem o senhor gostaria de transmitir aos eleitores que estão acompanhando sua trajetória e avaliando as opções para esta eleição?
DJ: Primeiro, gostaria de falar com aquele que pensa em não votar, aquele que acha que o voto dele não vai mudar nada. Quando você pensa assim, você deixou de acreditar em uma única mudança que é possível. A política é a única forma de mudar alguma coisa. O eleitor que anula seu voto, ele beneficia quem está no poder. Você que está incomodado com o que tá acontecendo, é você mesmo que tem obrigação de ir lá e transformar isso. Está na nossa mão, é o seu direito de ir lá e escolher o seu candidato. Não se permita achar que você não faz parte desse processo, você faz parte desse processo e você pode transformar a realidade do seu município, do seu estado, do seu país. A gente precisa votar. O Duarte Júnior, nesse momento, é o único que precisa do apoio de cada um. Pode ser que no dia de amanhã, eu possa ser útil para a nossa região e ajudar a transformar a nossa região. Mas, neste momento é você quem escolhe, é você quem decide. Para a nossa região, eu tenho a consciência muito tranquila, se a gente quer transformar formar a nossa região, a gente precisa de um deputado federal. Precisamos conscientizar a importância de ter alguém da nossa região, e a gente transformar a política da nossa região juntos.