Marcos Delamore
A previsão de contratação de aproximadamente 15 mil trabalhadores por empresas de mineração levou a Câmara Municipal de Mariana a cobrar informações sobre os impactos desse crescimento no município. O Requerimento nº 132/2026 foi apresentado, nesta segunda-feira (21), pelo vereador Ronaldo Bento (PSDB) e encaminhado a seis mineradoras com atuação na região.
O documento cita Vale, Samarco, Cedro Mineração, Mineração Ducal, Roca Mineração e MG Mineração de Tombos, e pede informações sobre possíveis contrapartidas e investimentos sociais relacionados à expansão das atividades.
De acordo com Ronaldo Bento, a preocupação é com o aumento da demanda por serviços públicos caso parte dos trabalhadores se estabeleça na cidade ou venha a integrar a população flutuante do município.
“Busco, com esse requerimento, discutir se existe algum plano de ação para essas empresas, com o intuito de dar condicionamento para receber esse número de trabalhadores e, de fato, poder nos dar condição de dar vazão para a nossa saúde, educação e habitação. Peço essas informações para que a cidade não fique fragilizada”, pontuou o parlamentar.
Entre os setores apontados estão saúde, educação, assistência social e habitação. O vereador também incluiu mobilidade, infraestrutura urbana e segurança pública entre os pontos a serem considerados pelas empresas.
O requerimento questiona ainda se foram realizados estudos ou projeções sobre os efeitos da contratação do novo contingente na população e na estrutura do município.
Os demais vereadores também demonstraram preocupação com a pressão que a chegada de novos trabalhadores pode exercer sobre o mercado imobiliário e nos serviços públicos de Mariana.
O cenário vivido em Mariana
A discussão ocorre em meio à pressão sobre o custo de vida em Mariana. A cidade é apontada como a terceira mais cara de Minas Gerais, com 88,7 pontos.
O cenário é reforçado pelo 1º Boletim Econômico de Mariana. Segundo o estudo, a inflação acumulada entre maio e outubro de 2025 foi de 3,19%, enquanto a média nacional ficou em 1,22%. A habitação foi o principal componente de impacto no índice municipal, com os aluguéis pressionados pela demanda da população flutuante e situados, em média, entre R$ 1.800 e R$ 2.500.
A diferença entre a população oficial e o contingente atendido pelos serviços municipais também chama atenção. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra 65.506 moradores, enquanto as estimativas citadas pelo observatório chegam a 115 mil pessoas. Em 2025, mais de 105 mil pessoas estavam cadastradas no Sistema Único de Saúde (SUS) do município.
Planejamento
A Câmara também quer saber se existem mecanismos de acompanhamento dos impactos decorrentes do possível aumento populacional e se as empresas possuem investimentos ou outras formas de contrapartida previstas para o município.
O vereador pede que as mineradoras informem se há interesse em iniciar tratativas com o poder público para construir um planejamento conjunto.
Conforme o requerimento, a intenção é que a expansão da atividade econômica seja acompanhada de investimentos proporcionais aos possíveis impactos sobre o território e os serviços públicos. O Jornal O Liberal Inconfidentes procurou a Vale e a Samarco Mineração para esclarecer os pontos mencionados na reportagem. Até o fechamento desta matéria, as empresas não haviam respondido. O espaço permanece aberto para manifestação.