Com a ascensão das ferramentas de Inteligência Artificial, muitas pessoas estão delegando tarefas básicas, como escrever um e-mail, uma mensagem de boas-vindas ou de felicitação, para os aplicativos geradores de conteúdo. Compreende-se que tais instrumentos auxiliam bastante no desempenho das atividades cotidianas. Contudo, é preciso cautela, pois a Inteligência Artificial não pode ser encarada como uma substituta da inteligência humana.
Contar com o auxílio dessas ferramentas tecnológicas para aprimorar um trabalho, otimizar o tempo e realizar pesquisas de maneira mais rápida e eficaz é praticamente irresistível. Todavia, há casos em que a sensibilidade, a experiência e a capacidade de compreender as particularidades de uma situação são indispensáveis.
Há quem acredite, por exemplo, que a Inteligência Artificial possa fazer as vezes de um advogado na análise de um processo, na redação de um contrato ou notificação, ou, ainda, na construção de alguma solução jurídica.
Ocorre que, entre as inúmeras informações utilizadas pela Inteligência Artificial, não está o raciocínio lógico-jurídico nem a experiência concreta de um advogado, diante de um caso específico. A Inteligência Artificial ajuda a encontrar caminhos em suas pesquisas, mas dificilmente conseguirá, por si só, apontar a direção, isto é, dar o diagnóstico adequado. É do advogado a responsabilidade por decidir o que é relevante, o que deve ser descartado, qual prova é confiável, qual tese é juridicamente aceita e, principalmente, quais os riscos envolvidos.
Imagine a situação em que uma pessoa precisa cobrar uma dívida, então, ela resolve ir ao “Dr. Chat GPT” e fazer a seguinte pergunta: – posso entrar com uma ação para cobrar uma dívida? Provavelmente, a resposta será afirmativa. Porém, se essa mesma pessoa for se consultar com um advogado, ele irá perguntar quanto tempo tem a dívida, para avaliar a hipótese de prescrição; a natureza da cobrança; as provas que aquela pessoa possui; os riscos de não pagamento e quais medidas aumentam as chances de recebimento.
O “Dr. Chat GPT” pode até ser um bom assistente, mas o advogado segue sendo indispensável à administração da justiça.