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Carta aos Tempos
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Mudanças e incertezas mudam o mundo e a vida

O mundo em transformação exige de todos atenção maior — e diária — às novidades que hoje alcançam a todos nos atos de cada dia. As mudanças e novidades, as mudanças e desafios, em escala mundial e velocidade inusitada, são a característica principal da vida contemporânea e tema de debates e adaptações de todos, pessoas e instituições. E trazem dúvidas, ansiedades e incertezas. No passado, não muito distante, mas não com as surpreendentes dimensões e velocidade de hoje, já se previa que transformações viriam. Basta lembrar A era das incertezas, de Kenneth Galbraith, de 1980, até hoje citado nas análises dos tempos atuais, como também A era dos extremos, de 1994, de Eric Hobsbawm, que já nos dizia que “o passado deixou de iluminar o futuro”. Hoje, a vida globalizada e digitalizada obriga pessoas e instituições a se reorganizarem e se informarem perante as novas demandas da vida contemporânea em transição.

Neste novo mundo, o conhecimento torna-se o capital que condiciona transformações, mas a velocidade das inovações condiciona a vida, o trabalho, a sobrevivência — e não sabemos onde nos levarão, nem se o mundo consciente conseguirá assumir as rédeas do destino comum. A universalização da internet, celulares e computadores, as redes sociais, o e-commerce, em tempos instantâneos, interconectados, globalizados, transformam valores e impõem novas condutas, levando à universalização do conhecimento para o bem e para o mal. E os impulsos e movimentos transformadores adquiriram autonomia e condicionam pessoas e instituições, relações e destinos. E não sabemos, com segurança, o futuro próximo.

Empresas e instituições também vivem a época de mudanças e têm que buscar sustentabilidade, adaptando-se a estes novos tempos e novas vivências. Os *Princípios da administração científica*, de Frederick Taylor, de 1911, são hoje apenas referências históricas — como também Max Weber, com sua *Cultura organizacional*, de 1916. A eficácia organizacional e operacional se volta para o conhecimento informacional rápido e competitivo. E a “pirâmide motivacional” de Abraham Maslow, de 1943, já não abrange as novas demandas humanas, assim como a “Administração por objetivos”, de Peter Drucker. Surge o conceito de “neo-empresa”, reconfigurada, que reflete este novo mundo organizacional, a exigir velocidade e volatilidade como parâmetros de multicompetitividade — e sustentabilidade. Em um mundo globalizado e da tecnologia digital, os clientes de hoje são muito mais exigentes.

Em documento lúcido e muito atual, em sua encíclica *Magnifica Humanitas*, Leão XIV adverte sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial que, segundo o Papa, “debilita nosso sentido crítico”. E está mudando muito todo o mundo e o “saber viver”. Mas não só a IA traz incertezas: e a crise climática, já anunciada, que pode extinguir a vida? E as guerras, agora com mísseis hipersônicos e drones de longo alcance? E o acirramento ideológico, que dificulta diálogos e paz? Como reabilitar a ONU para a cooperação internacional? O mundo fará a transição para as energias limpas com os “minerais críticos e raros”, sem os combustíveis fósseis? E o nosso Brasil, com a eleição deste ano e uma nova configuração internacional?

O mundo terá tempo de conter a corrida armamentista, mudar hábitos de vida coletiva, rever modelos industriais, impedir urbanizações desordenadas, reduzir a pobreza, prolongar a vida, impedir a destruição de rios e árvores? E restabelecerá diálogos construtivos em favor de um novo sistema cooperativo internacional e da salvaguarda da vida neste mundo. Será que o “paraíso” bíblico, com vida saudável e em paz, pode ser aqui, neste excepcional e paradisíaco planeta.

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