No Brasil, este país grande, bobo e… irresponsável com relação à coisa pública, o termo “aposentado” perdeu sentido, em razão da incúria de agentes políticos, notadamente na área previdenciária. No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, “aposentado” tinha significado ao pé da letra, ou seja, “recolhido aos aposentos”. Depois de cumprida sua missão produtiva e contribuir para a Previdência, podia ir para casa e, daí em diante, receber o suficiente para se manter. Isso não durou muito tempo, porque o cupim da corrupção alojou-se na estrutura previdenciária, passando a corroê-la em sua capacidade de devolver ao trabalhador, na proporção estabelecida inicialmente, até que chegou aos níveis de hoje, completamente defasados. Há algum tempo, tramita um projeto, denominado “revisão da vida toda”, mediante o qual altera-se o cálculo das aposentadorias, incluindo-se contribuições anteriores a julho de 1994. De acordo com especialistas, muitos dos aposentados, não todos, poderão obter melhorias em sua renda mensal. O projeto, atualmente sob o crivo do Superior Tribunal Federal – STF, seria apreciado no último dia 23, mas foi mais uma vez retirado de pauta, não se sabendo quando novamente voltará à apreciação. Se fosse para aumentar impostos, o projeto já teria andado e porretada já teria descido no lombo do povo, mas, em se tratando do atendimento a aposentados, a coisa pode esperar. Ministros estão mais preocupados e ocupados, em outras áreas que não a sua; têm que cuidar da censura a profissionais independentes da imprensa e alguns veículos da mesma; têm que prender até parlamentares por “crime de opinião; têm que bloquear contas por suspeita de “crimes democráticos”, e por aí vai… Aposentados, se não morrerem antes, que esperem com paciência!