Da CEMIG já se contaram, aqui neste espaço, várias histórias de relação tempestuosa com consumidores, sem que estes tivessem incorrido em falha, que justificasse punição da empresa. Há algum tempo, de um cliente, em dia com as contas, a empresa cortou o fornecimento e o deixou, no escuro, por mais de uma semana, mesmo depois de provado que o débito de sete meses era do vizinho (registre-se que nesse caso, a CEMIG não atendeu nem ao PROCON/Ouro Preto); em outra ocasião, retirou os dois medidores de consumo de um imóvel, sob a alegação de violação, sem nenhuma prova, deixando consumidores no escuro por alguns dias – o caso foi para a Justiça; noutra ação desastrada, ao atender solicitação da troca de cliente numa instalação, foi efetuada a troca, também da instalação vizinha. Esse caso só foi resolvido na Justiça, porque a empresa negou-se a corrigir o erro e o consumidor negou-se a pagar enquanto não corrigido o erro, pois não era seu o nome constante das faturas; em outro caso semelhante, o erro foi corrigido, depois de muita discussão, idas e vindas à agência da empresa; em recente caso, a empresa cobrou as duas últimas faturas relativas a um consumidor que mudara de endereço. Os débitos foram quitados, mas três meses depois a CEMIG emitiu fatura “cega”, ou seja, sem qualquer especificação além do valor, do código de barras e, é claro, da identificação do imóvel. Parece piada, mas não é! A poderosa estatal energética, tida como modelo e avançada em recursos tecnológicos, procede como o dono de boteco (copo sujo) ao cobrar a pinga vendida no balcão: escreve num papel apenas o valor e apresenta ao consumidor. No atendimento presencial, a fatura cega foi substituída por outra devidamente preenchida, porém relativa a um dos dois últimos meses, já pagos. Resumo: duas leituras, na mesma instalação e num só mês! Entretanto, caso mais estranho vem acontecendo, ininterruptamente, desde outubro de 2019. Em Cachoeira do Campo, uma unidade consumidora, de natureza privada, não paga suas faturas de energia, desde aquela data e a empresa não corta o fornecimento. Por quê? Qual o motivo de tal “generosidade” para com um cliente, sabendo-se que ela não perdoa, cortando o fornecimento de qualquer inadimplente? O total dos débitos já está na casa dos 9 mil reais. Pois é, como se diz no reino da injustiça: quanto ao injusto, o boi dá leite, quanto aos justos, a vaca dá um coice no balde! Choque da CEMIG não é só pela rede elétrica!