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O Berro do Bode Zé
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Quem não tem bunda não procura assento

Parece até haver uma vontade oculta em se manter o velho “bode” perdido ou agarrado no trânsito, pois ainda que tente sair, fato novo ou, pior, velho que se repete continuamente, o retém para mais denúncia.
Do selim da bicicleta, a feijão ou gasolina, o perigo pulou para o lombo de equídeo, em pelo, agigantando-se em gravidade devido à falta de raciocínio dos quatro-patas, se bem que essa falta não seja exclusiva deles, pois há bípedes humanos bastante mais carentes daquela função cerebral.
Três animais quadrúpedes, de grande porte, parados na pista da Rodovia dos Inconfidentes, às 5h25.Por ser segunda-feira, primeiro dia de trabalho após feriadão, o movimento já era intenso: ônibus lotados de trabalhadores de mineradoras, caminhões, carretas e bitrens; automóveis de passeio (de volta das praias) e motos.
Quem viu a cena imaginou o caos a seguir, mas na cabeça daqueles perdidos no asfalto deveria haver, pelo menos, um neurônio, isolado, ao contrário dos seus proprietários, que nem pasto têm para os animais.
Um deles se deu conta de que estava, no local e momento errados, antes que tudo virasse um inferno; saiu e os demais o seguiram, antes que os veículos tivessem que parar ou, pior, fossem parados por sucessivas colisões.
Mais uma vez, por pura sorte ou, talvez, por intervenção oculta, o asfalto não se tingiu de vermelho, que parece ser o desejo dos que, investidos da autoridade, não a exercem nos momentos certos.
Por fim, uma pergunta: se quem não tem bunda não procura assento, por que quem não tem pasto quer ter animal?

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