A cada instante nos surpreendemos com a velocidade das mudanças e transformações, característica cada vez mais acentuada dos tempos presentes e que atinge a vida de todos — pessoas, instituições, empresas e os diversos ramos do conhecimento. São avanços em geral, mas que também trazem muitas incertezas e angústias. O mundo globalizado, interconectado, integrado pela extraordinária capacidade das mídias eletrônicas, em tempo instantâneo e universal, vai nos surpreendendo a cada dia e a cada instante. Tal situação é vivida, em proporções extraordinárias, no Brasil de hoje, em que o cidadão atento às realidades da vida é surpreendido, todo dia, com imprevistos, notícias, singularidades e especificidades nos diversos setores, normas e condutas que conformam o conhecimento do saber e do como viver, além da evolução dos fatos da ordem política, econômica e da sobrevivência.
Na ordem política, os exemplos são muitos e maiores as perplexidades futuras: o extraordinário caso do Banco Master, com tantos crimes, falcatruas, corrupções e muito mais — como não foi detectado antes? E a delação de Daniel Vorcaro? Será ampla e levará todos os envolvidos para a prisão, sem distinções? E o embate político em torno da dosimetria das penas e da anistia parcial aos golpistas já condenados? E as novas relações do Brasil com os EUA — persistirão, estão pacificadas e se ampliarão? Como ficam as tarifas dos EUA e a exploração das “terras raras”, submetidas à cobiça internacional? E as eleições deste ano, em clima polarizado e radicalizado? E o assustador caso do senador e presidente de partido político Ciro Nogueira, corrompido afrontosamente com mesadas do banqueiro corruptor? E outros muitos nomes aparecerão?
No cenário internacional, também são muitas as perplexidades e indagações: a guerra EUA–Irã persistirá? A crise econômica decorrente, especialmente do petróleo, atingirá ainda mais todo o mundo? E o conflito Rússia–Ucrânia, que já dura quatro anos? E Israel, implacável e indomável em suas ações, mesmo após o terrível morticínio em Gaza? E os bombardeios no Líbano? E a ONU — terá sua autoridade restabelecida para o diálogo e a paz internacionais? E a China, em excepcional crescimento e expansão mundial — será a grande líder mundial? E a já propalada decadência dos EUA? E os velhos países europeus — Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Espanha — perderão suas hegemonias dos tempos colonialistas? E a nossa América Latina, ideologicamente dividida, que os EUA cobiçam e consideram como seu território de influência e domínio?
Mas são muitas outras as incertezas: a Organização Meteorológica Internacional acaba de predizer que o fenômeno El Niño será mais grave nos próximos dois anos, com agravamento da crise climática. Teremos nova epidemia virótica, como se teme? As epidemiologias dizem que as possibilidades são reais, após o susto com o hantavírus no navio. A corrida armamentista está em plena atividade, mesmo em países sem guerra, mas que se preparam para eventuais surpresas — e com mísseis e drones nesta nova forma de guerra, de alta tecnologia, aérea e mais destrutiva. E o Brasil? Está preparado para algum confronto em que teria que empregar força militar ofensiva ou defensiva?
Entre nós, brasileiros, no dia a dia, as surpresas também se apresentam. As eleições vão renovar governos e o Poder Legislativo para termos novas representações mais compromissadas com o bem-estar da população? E os “penduricalhos” do Poder Judiciário, novo escândalo nacional, serão retirados? E os preços dos alimentos e dos remédios, especulativos e compromissados com o lucro e não com a saúde, poderão ser controlados? Enfim, este é o olhar que domina o cenário do mundo e do Brasil e que preocupa o cidadão comum nestes tempos de mudanças — para o bem e para o mal.