Neste fevereiro, completam-se onze anos do impasse em que se encontram os domínios, que constituíram o maior quartel militar (Quartel dos Dragões) da então capitania de Minas Gerais (período colonial), mais tarde ocupado, durante cerca de cem anos, pelas Escolas Dom Bosco (Colégio Dom Bosco), primeira casa salesiana instalada em Minas Gerais. Depois de alguma luta sob o lema O DOM BOSCO É NOSSO, que impediu a venda do imóvel, para fins comerciais, e pretendia resgatá-lo, para que continuasse sua missão educacional no setor público, tudo caiu no marasmo jurídico, para onde se encaminhou o “abacaxi”, onde deveria ser descascado. Não foi descascado, mas simplesmente colocado na geladeira e, parece, ali esquecido. Enquanto isso o imóvel está subutilizado e em deterioração pela ação do tempo. Já que quem deveria não c..a e não sai da moita, vamos sugerir aqui que o governo federal assuma o imóvel, caso se confirme não ser do interesse dos salesianos, o restabelecimento do ensino naquele local. No início, o imóvel pertenceu à coroa portuguesa, passando à coroa imperial brasileira, por ocasião da independência política do Brasil. A unidade militar que o ocupava foi incorporada ao Exército Brasileiro, no Rio de Janeiro. No antigo quartel, instalou-se então uma coudelaria (criação e aperfeiçoamento de equinos). Nessa coudelaria nasceu o primeiro potro da raça campolina; chamado Monarca em homenagem ao imperador. Por ocasião da última visita de D. Pedro II a Minas, fevereiro de 1889, foi ali criada uma colônia agrícola, cuja administração o imperador confiou ao governo da província, sediado em Ouro Preto. No final daquele mesmo ano, foi proclamada a República e o novo governo nem tomou conhecimento do imóvel que, por lógica, seria da União. De apenas administrador, o Estado de Minas Gerais passou a proprietário, porque os primeiros governos da União, na República, desprezaram o imóvel. Aliás, republicanos não queriam nada com Ouro Preto; tanto é verdade que oito anos mais tarde o governo mineiro praticou a maior das covardias contra a população ouro-pretana. Que o governo federal retome o imóvel, que lhe é de direito, desde o início; e se resolva esta pendenga, que não dá camisa a ninguém.