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O Berro do Bode Zé
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Passado aponta o futuro

O Fórum da Comarca de Ouro Preto está de casa nova; feliz medida em prol dos serviços da Dona Justa e da população por ela servida. Oportunamente, livrou-se também da bandeira esquisita de um verde duvidoso, que fazia lembrar doença, a malária, por exemplo. À frente do novo prédio, lá está a altaneira com seu soberbo verde! Instalado na esquina da “Praça do Cinema” com a Rua Paraná, desde os anos 60, quando se fez a tempestuosa troca entre o Fórum, então situado na Praça Tiradentes, e o CAEM, sua ida para a Vila Itacolomi (poucos sabem ser este o nome oficial do “Bauxita”, nome herdado da exaurida jazida do minério naquele local) apressa a consolidação da mudança da Ouro Preto oficial para aquela região. Ao ali chegar, o Fórum encontra os campi da UFOP e do IFMG, a Justiça do Trabalho, a Delegacia de Polícia, a Santa Casa de Misericórdia, a UPA Dom Orione, a UNIMED Inconfidentes, bem como a distribuidora energética, a concessionária de telefonia e concessionária dos serviços de água e esgoto. Só faltam se transferir a administração municipal e a estação rodoviária. Grandes supermercados também lá estão, faltando ainda bancos, estes sim, que deverão encontrar mais resistência por parte do setor comercial. As primeiras casas do bairro surgiram também nos anos 60, por meio de cooperativa habitacional entre trabalhadores da fábrica de alumínio, quando já exaurida a bauxita, que fora explorada pela primitiva e brasileira ELQUISA, por sua sucessora ALUMINAS, antes da fusão com a ALCAN, em Saramenha. Devido aos pés coloridos com o pó vermelho local, os primeiros moradores eram, jocosamente, chamados “pés-de-pomba”, que alguns aceitavam, retribuindo a brincadeira, e, outros refutavam com xingamentos. O crescimento e desenvolvimento da Vila Itacolomi, ou Bauxita, faz da região uma segunda cidade, no Morro do Cruzeiro, visão antecipada por um político local quando Ouro Preto ainda era a capital de Minas Gerais. De um lado, os que, sinceramente, pretendiam dotar o estado de capital com melhores condições, pois em Ouro Preto era reconhecida a sua fragilidade, especialmente no tocante a topografia, para que se desenvolvesse como capital de estado. Do outro lado estavam os que vislumbravam algo grandioso, que pudesse seduzir e acabar de vez com o sonho de uma volta ao regime anterior. Contudo, nos subterrâneos das ideias em discussão, fervilhava o desejo republicano de matar, de inanição, a Ouro Preto Cidade Imperial, torná-la esquecida até que desaparecesse de vez. Foi quando o conselheiro Randolpho Bretas apresentou a proposta alternativa, que pretendia conciliar o projeto de uma capital à altura com a vontade da população local, que não queria ver a cidade perder o status de capital. Segundo sua proposta a cidade deveria se “expandir para os lados do Morro do Cruzeiro” mediante abertura de amplas ruas e avenidas, dotadas de todas as características de uma cidade moderna. Randolpho Bretas foi voto vencido, a nova capital foi edificada e para lá o governo se mudou de mala e cuia, deixando a população local à mingua. Os republicanos de então, que queriam Ouro Preto riscada do mapa, só não contaram com o amor do ouro-pretano por sua terra e com sua teimosia, para se agarrar firme ao barranco onde nasceu. Ouro Preto ficou um tempo esquecida, mas não desapareceu e hoje se expande e ganha novas forças no Morro do Cruzeiro, apontado por Randolpho Bretas.

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