Valdete Braga
Li algo sobre o programa Big Brother, que está no ar pela Rede Globo de Televisão, que achei muito pertinente.
Não assisto ao programa, e não é por esta corrente elitista que chama de “lixo” tudo o que não lhe agrada e muito menos por ser de uma emissora que, por questões políticas, muitos rechaçam. Aliás, acho esta segunda afirmação de uma falta de argumento absurda, porque assisto ou não assisto a algum programa de TV pelo seu conteúdo e não pelo canal em que passa. Quem gosta do Big Brother que assista e quem não gosta que não assista, simples assim.
O que achei interessante no texto foi a análise feita sobre a intenção do jogo e a distorção desta intenção pelas torcidas. Não tenho como dar os créditos, porque a análise chegou-me já reenviada, em um texto sem assinatura, como tantos que vemos pela internet, mas em síntese ele diz o seguinte:
Trata-se de um programa de televisão, que passa em vários países, cujos participantes são colocados em uma casa, sem contato com o mundo exterior, competindo entre si por um prêmio em dinheiro, no caso do Brasil, de um valor bem alto.
Durante três meses, participam de provas, sendo estas de teor físico e psicológico, e a cada semana um é eliminado, através de votação pelo público, até que reste só um, que se torna o vencedor.
Até algumas temporadas, os participantes eram escolhidos entre pessoas anônimas, e no decorrer do programa o público simpatizava ou antipatizava com eles, utilizando dos próprios critérios para a eliminação semanal. De uns tempos para cá, o critério de escolha mudou, misturando integrantes anônimos e conhecidos, sendo estes conhecidos atores, cantores ou “celebridades” da internet, e é neste ponto que entra a crítica, muito pertinente, do texto.
Desde esta nova composição do quadro de componentes do jogo, este deixou de ser um jogo, para tornar-se escolha por torcidas, que na maioria das vezes já escolhem o vencedor no primeiro dia do programa, ou por vezes até antes dele. Dependendo do apelo popular do participante, este torna-se campeão assim que seu nome é anunciado. Ou seja: torna-se vencedor antes mesmo de competir.
Como não assisto ao programa, e, repito, não vai nesta afirmação nenhum tipo de comentário politicamente correto, nunca havia pensado por este viés, mas ele é muito lógico. Ao participarem artistas já conhecidos e de forte apelo popular, o jogo torna-se extremamente injusto, pois, independentemente do que façam ou como jogam, o “público” já escolheu um campeão.
Na verdade, este “público” tornou-se não a maioria que escolhe, mas uma torcida engajada que cria formas de votação que, mesmo lícitas, tornam-se injustas. Não vence quem jogou melhor, vence a maior torcida. Isto não é jogo, é manipulação.