Imagem: Câmara Municipal de Itabirito/Victória Oliveira
A Câmara Municipal de Itabirito realizou, nesta segunda-feira (2), a primeira reunião ordinária de 2026, marcando o retorno oficial das sessões após o recesso. A reunião foi conduzida pela Mesa Diretora da Casa, presidida pelo vereador Léo do Social (PSDB), tendo Danilo Grilo (Cidadania) como vice-presidente e Fernando da Sheila (Mobiliza) como secretário. A sessão sinalizou um início de ano legislativo com forte clima de cobrança e participação popular.
Na abertura dos trabalhos, o presidente destacou a expectativa para o ano legislativo. “Que tenhamos um ano muito produtivo, com muitos bons resultados para nossos munícipes e que Itabirito possa continuar na linha do desenvolvimento”, afirmou Léo do Social.
A sessão contou com uma pauta extensa. Cinco projetos entraram em primeira discussão e outros 16 projetos começaram a tramitar na Casa, abordando temas como habitação, direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), saúde, segurança pública, meio ambiente, denominação de espaços públicos e programas sociais.
Além da pauta legislativa, a primeira reunião do ano foi marcada pela presença de moradores do bairro Marzagão, que acompanharam a sessão portando faixas com cobranças por melhorias e maior responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. Entre as mensagens exibidas, estavam pedidos por mais transparência nos gastos e por ações concretas para o bairro. Embora não tenham utilizado a tribuna livre, a presença dos moradores teve caráter simbólico e serviu como forma de pressão e de visibilidade para as demandas da comunidade.
Cobranças dos vereadores marcam as falas na tribuna livre
Durante o momento destinado às falas livres dos vereadores, surgiram pedidos por melhorias na prestação de serviços públicos, além de denúncias e questionamentos sobre a transparência dos gastos e a situação do orçamento municipal, vindos principalmente de vereadores que, de forma geral, se opõem à atual gestão. As manifestações refletiram preocupação com os efeitos das medidas de contenção de despesas anunciadas pela Prefeitura no ano passado e com o impacto dessas ações em diferentes áreas.
Nesse contexto, o vereador Max Fortes (PSD) afirmou ter recebido reclamações sobre o corte do transporte escolar de alguns alunos da APAE de Itabirito. Segundo ele, a prefeitura teria suspendido o benefício sob a justificativa de que os estudantes não estão matriculados na rede municipal de ensino regular. O vereador questionou se a medida estaria relacionada às ações de controle de gastos adotadas pelo Executivo e manifestou repúdio à decisão. “Cobrei muito no ano passado, perguntei onde seriam os cortes e nunca falaram. Vai cortar no aluno da APAE, que mais precisa?”, afirmou. O caso gerou repercussão e preocupação nas redes sociais, enquanto a Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.
O vereador Márcio Juninho (Cidadania) também fez cobranças, desta vez relacionadas à infraestrutura do bairro Água Limpa. Ele relatou visitas recentes à região e apontou problemas no acesso ao bairro e danos causados pelas fortes chuvas. Segundo o vereador, algumas ruas estão praticamente intransitáveis, com grandes buracos e crateras, o que dificulta a circulação dos moradores. Márcio Juninho informou que os trabalhos de recuperação já começaram e que moradores relataram a presença de máquinas atuando no local.
Outra denúncia que ganhou destaque foi apresentada pelo vereador Renê Butekus (PSD), relacionada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele afirmou que precisou estar acompanhado por segurança durante uma visita à unidade para apurar denúncias recorrentes sobre o funcionamento do serviço. Renê também relatou que a vereadora Rose da Saúde (PSB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, teria sido impedida de entrar na UPA.
A parlamentar confirmou o ocorrido e informou que entrou em contato com o prefeito, que afirmou desconhecer a situação e garantiu que providências seriam tomadas. Rose destacou que, caso o impedimento volte a ocorrer, buscará medidas legais, ressaltando que os vereadores têm direito de acesso às unidades públicas para fins de fiscalização.
Mesmo com diferenças de posicionamento entre vereadores da base e da oposição, a primeira reunião do ano revelou um ambiente de cobranças, especialmente em relação aos serviços essenciais, indicando que esse deve permanecer como um dos temas centrais das discussões na Câmara ao longo de 2026.